quarta-feira, 14 de janeiro de 2004

De novo o MST...

"Uma semana difícil
1- A Instituição teve uma semana difícil, verdadeiramente complicada. E o motivo para isso não foi, ao contrário do que se possa pensar, a derrota com o cada vez mais eterno rival da Segunda Circular nem sequer a paupérrima demonstração de falta de categoria que a acompanhou. Como diz José Antonio Camacho, «não entendo que, por se perder um jogo, todos critiquem ». Também não foi o empate de domingo em Leiria, em que, bem vistas as coisas, tudo poderia ter sido pior: afinal de contas, aquela despassarada defesa apenas voltou a consentir três golos, que teriam sido cinco não fosse o Moreira (digo-vos, ó instituídos, a vossa Direcção agora parece que quer o Quim mas este rapaz que vocês têm na baliza bem justifica que façam essa economia e gastem o dinheiro, por exemplo, que sei eu, a comprar um par de centrais com algum jeito para a função). Não foi, pois, pelo lado da equipa de futebol que a Instituição viveu uma semana difícil. Mesmo coisas que podem parecer evidentes a alguns adeptos ignorantes— como esse disparate de achar que a equipa trabalha pouco— não são verdade. É certo que na semana antes do derby descansou mais um dia que o rival e logo a seguir à derrota, enquanto este voltava a trabalhar, a Instituição voltou a descansar. Mas logo na terça-feira foi ver os rapazes da Instituição a fazerem um tão intenso treino de duas horas que até tiveram de descansar na quarta e, como diz José Antonio Camacho, trabalha-se no Benfica tanto como nos maiores clubes do Mundo e o fundamental é que «se preservem os pilares colocados». Por isso é que os pilares voltaram a descansar no sábado, recuperando forças da longa viagem entre Lisboa e Vieira de Leiria. Ao contrário do que igualmente se possa pensar, também não foi aquela confusão entre o presidente e o vice-presidente que motivou a difícil semana da Instituição. É verdade que afinal acabámos por não perceber se se amam ou se se odeiam, se conspiram mutuamente ou se confiam um no outro cegamente. Ficámos apenas a saber, por comunicado, que, tendo sido eleitos com 90 por cento dos votos, representando um largo universo de seis milhões de benfiquistas, é natural que haja saudáveis diferenças de opinião entre eles — afinal de contas, 90 por cento de seis milhões de opiniões são muitas opiniões. Ficámos também a saber que tudo não passou de um mal-entendido acerca da filiação clubística de alguém contratado para o decisivo sector da propaganda e que alguns espíritos sempre atentos identificaram como um sportinguista infiltrado (a propósito, que será feito do ex-portista arrependido que ocupava funções idênticas na Instituição?). É que, como explicou alguém da casa, o problema não era apenas o de dormir com o inimigo, era a própria designação da Instituição que estava em perigo. Se, até aqui e ao que parece, já havia quem, lá na sombra dos corredores, andasse a murmurar que aquilo mais parecia o Sport Alverca e Benfica, agora corre-se o risco de murmurarem que parece o Sporting Alverca e Benfica. E isto, note-se, dito por pessoas da casa, intramuros, e não por algum daqueles arruaceiros do Fê-Cê-Pê, como aqueles que em Santa Apolónia andaram a anavalhar sportinguistas disfarçados de claque benfiquista! Não foram, pois, os resultados da equipa de futebol, nem os do vólei, do básquete, do hóquei ou do futsal—tudo derrotas —, que abalaram esta semana a Instituição. Nem sequer o foram as guerras intestinas na SAD ou o comportamento público das claques. Nada disso. O que verdadeiramente abalou a Instituição foi o caso do Evandro. O quê, não sabe o que foi o caso do Evandro? Eu explico: o Evandro é um jogador do Rio Ave que, aos 85 minutos do jogo contra o FC Porto, nas Antas, seguia isolado a caminho da baliza do Baía quando o árbitro auxiliar o assinalou em offside inexistente (para haver offside, existente ou não, é forçoso que o jogador esteja sempre isolado... mas isso é um detalhe). Facto é que o Evandro ia isolado e sabe-se como o Evandro isolado é sempre letal. No caso concreto, embora seja certo que, em 85 minutos de jogo, nem o Evandro nem nenhum dos seus colegas havia criado uma ocasião de golo ou acertado com um remate na baliza do FC Porto, não restam dúvidas de que o Evandro se preparava para percorrer os 30 metros que o separavam da glória evitando todos os defensores no seu encalce e que, uma vez isoladíssimo frente ao Baía, se limitaria a perguntar «para que lado queres?». É verdade que, antes de o Evandro ser travado quando ia marcar um infalível golo, o trio de arbitragem também errou ao não ver uma grande penalidade, todavia pacífica, contra o Rio Ave. Mas isso não interessa: erros contra o FC Porto são erros saudáveis para manter a emoção no campeonato, os outros é que não se consentem. Não fosse o erro do árbitro auxiliar e o Rio Ave teria ganho, ou pelo menos empatado, nas Antas e a Instituição não estaria agora a 11 pontos do FC Porto mas sim a uns confortáveis e estimulantes 8 ou 9 pontos, suficientes para «se preservarem os pilares colocados». Como escreveu um tal de Nélson Veiga, em A Capital, há sempre «um árbitro amigo que desenrasca os momentos mais complicados » do FC Porto. Foi assim— para não ir mais atrás—que, na época passada, o FC Porto ganhou a Supertaça, a Taça de Portugal, a Taça UEFA e acabou o campeonato, salvo erro, com uns 12 pontos de avanço sobre a Instituição. São esses árbitros amigos que dão as vitórias e os títulos ao Fê-Cê-Pê e abalam os sete pilares da sabedoria.
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1 comentário:

Anónimo disse...
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