sexta-feira, 23 de março de 2007

Carta Aberta ao Prof. Jesualdo Ferreira

Il.mo Senhor Professor


Imprevistos e inadiáveis compromissos familiares só agora me permitem dirigir a V. Ex.cia, no rescaldo da “brilhante” exibição da equipa por si treinada, aquando do jogo do passado fim-de-semana.
Começo por humildemente lhe pedir escusa por vir roubar um naco do seu tão precioso tempo, certamente consumido em atento, minucioso e escalpelizado estudo das estratégias dos jogos, passados e futuros, da sua equipa (dizem os seus biógrafos que o professor tem sido ao longo de toda a sua já longa carreira de treinador um “profundo estudioso de tudo quanto ao futebol diz respeito” e quem sou eu para poder duvidar de tão excelsa proclamação, só que me parece que das duas uma: ou essa supra ciência se volatiliza com demasiada facilidade, já que ninguém a percebe ou é tão sábia e tão profunda que também ninguém a entende, pelo menos nós os mais comezinhos dos mortais).
De qualquer modo, devo confessá-lo, os seus jogadores também não devem estar à altura dos seus sublimes méritos e pergaminhos, pois, pelos vistos, não conseguem pôr em prática o fruto de tão insignes lucubrações…
Ainda pensei que o problema se prendesse com “falta de comunicação” e dei comigo a pensar que eu devia estar equivocado quanto à terra natal de V. Ex.cia. Confessei até para os meus botões: «querem ver que eu julgava que ele tinha nascido em Mirandela, e afinal nasceu, sim, em Miranda do Douro. Expressa-se em “mirandês” e, claro, os jogadores não o entendem!» O pobre do Rui Barros, como arranhava umas de inglês, mesclado com italiano, francês e “espanholês”, lá ia ajudando o Adriaanse como podia, mas “mirandês”é capaz de não estar à altura.!...
Mas afinal não estava enganado. Apesar de lampião e vermelho, V. Ex.cia sempre é de Mirandela, como eu calculava. Logo os jogadores devem perceber o que diz.
Se calhar não percebem é o que quer. Assim como nós. Ou talvez saibamos. Mas creia, distinto professor, que, em qualquer caso, V. Ex.cia não fica bem na fotografia.
Como não fica quem o foi buscar.
Creia-me, sem consideração

5 comentários:

Nuno disse...

Não tinham ficado mal umas anotações numa carta com tamanha elevação linguística e gramatical... é que seguramente que grande parte de quem aqui a vai ler, não vai saber o significado de uma palavra, ou duas.

E desculpa lá, mas esta carta aberta não traz absolutamente nada de novo, e muito menos de útil.

Francisco disse...

Meu caro Nuno:
Aceito perfeitamente as tuas críticas,se bem que me pareça que um pouco de sarcasmo, de vez em quando, possa ser positivo e mesmo revigorante.Admito também que o "poste" possa não trazer nada de novo nem era esse,confesso, o meu propósito. Quanto à sua utilidade,já não estou tão certo. «Ridendo castigat mores» diziam os antigos. Pode ser!...Se, por acaso, algum daqueles a quem a carta é dirigida (e como é bom de ver, nem é só ao treinador!)tomar conhecimento dela, com toda a certeza não deve ficar muito satisfeito. Se isso, porventura,vier a acontecer os objectivos terão sido atingidos.
Meu caro Nuno, muitas vezes não é só à "morteirada" que se ganham guerras.Pelo contrário.
Não hão-de faltar ocasiões de fazer "postes" mais à medida da sua predilecção.
Mais um apontamento apenas:não estou tão seguro de que quem vem aqui ler não entenda. Os portistas e dragões não são estúpidos e percebem bem onde se queria chegar. Se se tratasse de lampiões, aí outro galo cantaria.

Anónimo disse...

Vocês aqui, neste blog, só sabem é deitar abaixo. Fazer alguma coisa de construtivo é que já é areia de mais para a vossa camioneta. Criticar sem apresentar soluções é uma arma dos medícres.

Dá a ideia que vocês gostam muito é de mandar atoardas quando as coisas correm mal. Quando as coisas correm bem, minimizam o facto para não comprometerem as postas de pescada que vão cagar quando voltarem a correr mal.

Por isso vou ser construtivo e incitá-los a que, a partir de agora, sempre que tiverem alguma crítica pessoal a fazer a alguém ligado ao FC Porto, que deêm sugestões para resolver os problemas.

Não gostam do Jesualdo? So what?!
Querem mandá-lo embora agora? No fim da época? Quem acham que está a altura para o substituir?

Ou este tipo de pensamento já é areia de mais para a vossa camioneta?

Nuno disse...

Eu já sei que o único treinador de jeito para o FCP é cada um de vocês... cada um de nós.

Mas criticar por criticar, falar por falar, escrever por escrever, isso não me parece nem justo nem justificado.

Gostava de ver aqui uma carta aberta ao Jesualdo, mas que não visasse o facto de o treinador ser "vermelho", de ser de Mirandela, de empregar um léxico por vezes demasiado rebuscado.

Gostava de ver mais críticas ao seu trabalho e sobretudo as possíveis soluções... nunca esquecendo que quem trabalha com os jogadores é ele, e por vezes não temos os elementos todos nas nossas mãos!!

dragaovenenoso disse...

Não concordo com a referência de neste blog de "...Quando as coisas correm bem, minimizam o facto para não comprometerem as postas de pescada que vão cagar quando voltarem a correr mal...."

Não é verdade e o anónimo devia ler os posts de outros anos para ver como se critíca quando se entende como necessário, assim como se louva com se merece.

Acho que este ano é gritante os erros de juízo do treinador, que, como já referi anteriomente, chegou ao Natal como líder indiscutível e neste momento está a caminho de perder o único título para o qual competia e tinha vantagem. Quem tem a culpa? São todos os que fazem parte da equipa técnica, o seu treinador como responsável máximo. E não minimizem o facto das férias de Natal pois são sem sobra de dúvidas a causa principal do decréscimo da forma. E este treinador por muito estudioso que seja, não olha com atenção para o calendário. Até o simulão previu o jogo com o FCPorto e arranjou maneira de não jogar hoje pela selecção. Ou acham que foi por acaso? Não é que eu entenda que tem inteligência para tal, mas tem quem o aconselhe.

Tenho pena que muitos dos conhecimentos que o Mourinho introduziu no FCPorto tenham caído em saco roto. Mesmo a equipa técnica tendo saído, as pessoas mais próximas podiam ter arranjado forma de guardar essa informação para o futuro e usá-la até quase como doutrina. Enquanto cá esteve ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar, por isso acho que era de a seguir.