quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O CLUBE ESTÁ DOENTE

O Clube está notoriamente doente e precisa de cura urgente. O sintoma mais visível são os resultados e as exibições da equipa de futebol, o coração do Clube. Ao pobre e incompetente treinador, que ontem, de novo, demonstrou a sua total falta de capacidade para ser timoneiro desta nau, só lhe aponto uma responsabilidade - a de não ter vergonha suficiente para apresentar a demissão. Porque no mais, quem dá o que tem, a mais não é obrigado. Se continua a ser a única pessoa no mundo, a par do Sr. e da Srª. Gonzalez, a achar que o Mariano deve ter lugar cativo no onze dum clube como o Porto, não tem culpa disso. Ele é assim, ponto final. Se acha que apostar em dar a volta a um resultado negativo é tirar o trinco, meter um ponta de lança e depois recuar um organizador para o lugar do trinco que tirou, pronto, tudo bem. Será culpa dele? Se acha que atacar com tudo é meter o Tarik em terra de ninguém e colocar o Lisandro no meio campo (?????), deixá-lo lá. A democracia impõe o direito à asneira e à incompetência.
O problema é do Porto é mais grave e mais profundo do que isso. Já não tenho dúvidas que José Mourinho foi o canto de cisne de Pinto da Costa. Antes dele, já havia sintomatologia. Já fora o Clube treinado por Octávio, tendo sido permitido que a mística fosse corrida ao pontapé quando escorraçaram o grande capitão para o Charlton. Já tinha sido cometida um das piores asneiras de que há memória em termos de plantel, que foi deixar o indescritível palmelense impedir o retorno de Super Mário, para ir parar a um dos nossos rivais. Na altura, o idiota José Mourinho foi, na verdade, com a sua genialidade, o principal responsável pelas grandes conquistas europeias de 2003 e 2004, contra qualquer probabilidade face ao estado do Clube na altura. E isso viu-se, com a sua saída. Mal Mourinho saiu, foi contratado Gigi del Neri, que só treinou a pré temporada. Mais dois se seguiram e, num ano apenas, destroçou-se o legado de Mourinho, facto a que não é alheia uma desastrosa política de contratações e dispensas. O desperdício de Diego, Luís Fabiano e Ibson é apenas um exemplo. Mais recentemente, a vergonha do caso Adriano, um grande jogador, com raça à Porto, que teve grande responsabilidade em dois dos últimos 3 títulos do Clube (os dois que a amostra de treinador ganhou, curiosamente...) e a vergonha maior ainda da novela da renovação do Lisandro patenteiam o estado de desgoverno caótico a que o Clube está sujeito. Na verdade, contratar o Cebola, que, não haja equívocos, é bom jogador e pagar-lhe desde logo o maio salário do plantel é erro de principiante. Para segurar o Lucho, este teve que ser aumentado. Mas Lisandro, o único exemplo recente de jogador à Porto, uma pérola, ficou fora desse aumento e viu cavado o fosso salarial entre ele e aqueles dois. Gostava de saber a explicação de Pinto de Costa para esse foco de mau estar no plantel e para a tremenda injustiça que isso representa. Isto claro, se Pinto da Costa não estivesse completamente manietado pelo Apito Dourado, processo que, temos que admitir, foi uma vitória dos nossos inimigos.
Neste momento, e como se não bastasse, temos um plantel sem mística, quase sem portugueses e completamente incaracterístico. Aposta-se em dispensar jovens da casa, com amor à camisola e bons jogadores, como Paulo Machado, preteridos por Guarins e Kazmierzacks. Se observarmos os plantéis de 87 e 2004 percebemos por onde começou a glória desses anos.
Em termos de administração temos um presidente como disse, ausente e manietado. A direcção só dá sinais de vida uma vez por ano, aquando da contratação de jogadores por atacado no início de cada época. E só assim se explica que Jesualdo, depois das intoleráveis declarações pós Arsenal, ontem tenha tido mais uma tirada inaceitável, dizendo que "com estes jogadores não podíamos ter feito mais". Ninguém o chama à razão, fazendo-lhe ver que no Futebol Clube do Porto não admitimos esse tipo de dislates. E isto leva-me à parte mais triste da actual doença do Clube. Se a direcção é ausente, se falta mística e portismo no plantel, tal só é possível porque o Clube está sem alma. Quero com isto dizer que os adeptos têm a maior parte da responsabilidade, pela apatia revelada nos últimos tempos. Ainda ontem, perante mais uma sinfonia de disparates do treinador, não vi ninguém a insurgir-se contra o mesmo. No fim, contei 3 tímidos lenços brancos, entre a multidão que, de mãos nos bolsos, conformada e apática, virou costas e foi para casa, como se nada fosse. Comparar esta atitude com o último jogo de Fernandez, em que, nos últimos 20 m todo o estádio assobiava e abanava lenços brancos, não dando qualquer hipótese ao treinador e à direcção senão a de, imediatamente, acabar com o contrato. E recordo, Fernandez não organizou o plantel, estava há poucos meses no Clube, tendo ganho a Supertaça e a taça intercontinental.
Custa-me engolir que, qualquer crítica fundada à SAD, ao Presidente, ao plantel, enfim, ao Clube, seja recebida fanaticamente por uma grande franja de adeptos, para quem a palavra de Pinto da Costa é a Bíblia, e para quem é proibido por decreto discordar do que quer que seja. Isso é manifesto em muitos comentários a este blog, sendo que para esses adeptos, seja quem for o treinador, é sempre bom e nós os energúmenos que nos atrevemos a apontar-lhe falhas. Pinto da Costa é infalível e os jogadores os melhores do mundo. O árbitro é que rouba sempre que perdemos, ou, quando muito, o azar persegue-nos.
Já disse isto em post anterior. Enquanto os adeptos não se revoltarem com ostatus quo, não há solução para esta doença. Porque a direcção vai continuar e o treinador também. Os negócios ruinosos idem.
Este post já vai longo, mas não queria deixar de concluir, dizendo que, de imediato, o Clube precisa de injecção de portismo. A primeira coisa que, na minha óptica se impõe, é rescindir com Jesualdo e colocar no seu lugar o eterno capitão Jorge Costa. Sejamos francos, pior treinador que Jesualdo é impossível. Jorge Costa traria mística, voz de comando respeitável e, sobretudo, perfeita noção do que é a camisola azul e branca e do que é aquele balneário. O resto teria que vir por acréscimo - estancar os contentores de estrangeiros e resgate de jovens da casa com valor, tentando aportuguesar-se o plantel. Até que um dia Pinto da Costa e restante e inútil SAD, mas sobretudo o primeiro, que é o único a quem devemos, e muito, se resolva retirar, ainda e apesar de tudo, repleto de glória e com alguma dignidade.

2 comentários:

Tiago Silva disse...

Azulão, felizmente que não sou o único a ter essa opinião.
Já agora, se tiver tempo dê uma olhadela ao blogue:
criticaportista.blogspot.com

Lá, tal como aqui, a conclusão é a mesma.

PORTO AZUL disse...

infelizmente, é verdade. tenho pena que assim seja, mas custa mesmo perceber que estamos a caminhar para nos tornarmos uma equipa como aquela gloriosa dos slmerda que levou 7 em vigo. já pouco nos falta.
Venha o J Costa, o Domingos, o Secretário. Raça e Mistica portistas...

regressem os nossos miudos. mal por mal prefiro perder os restantes jogos esta época com malta da nossa raça... Castro, Bura, H Barbosa, Stevan, Ucka... enfim.

a Sad só existe para governar a vida a alguns...

ah, e já chega de argentinos mediocres. afinal os dois primeiros foram os melhores. de resto...