quinta-feira, 25 de março de 2004

PAUSA PARA FÉRIAS

Seguindo os passos do Dragão, parto amanhã para o estrangeiro para uma semanita de férias. Significa isto que ambos voltamos na próxima sexta feira. Ambos vamos então perder o massacre ao Moreirense de Domingo no Dragão, embora cedamos os cartões para que outros felizardos possam assistir in loco a mais uma gala artística.
Assim sendo, o blogue ficará um pouco parado por falta de oportunidade de escrevinhar umas linhas (embora o Dragão, com o Oceano pelo meio não deixe os seus créditos por mãos alheias). Aproveito, neste lapso de tempo, para convidar os nossos estimados leitores a apresentarem o seu balanço ao nosso blogue, para que após as férias possamos tentar melhorar alguma coisa. Deixem pois, as vossas críticas e sugestões, para que possamos saber o que pensam. É a vossa forma de ajudar a manter vivo este blogue. Claro que poderão e deverão deixar as vosas impressões acerca do referido jogo. De certeza que vai haver animação no blogue.

Por último, queria aqui agradecer ao Inter por mais esta noite de alegria. Gostei especialmente de ver o Miguel cair desamparado no 3º golo. Lindo! Força Celtic, não foi o ano passado, vai ser este ano. Quanto aos lampiões, foi honroso perder com o 7º classificado da liga italiana nos oitavos de final. Ajudaram assim os adversários a ganhar moral para o resto da época. Afinal, há 53 dias que não ganhavam um jogo em casa. Mas também, os desgraçados algum dia tinham que jogar contra uns ainda mais rotos do que eles para quebrarem o jejum... Só tenho pena é da família do desempregado Toni... depois de comentar o jogo, lá vai fazer a ronda das tasquinhas para afogar as mágoas...

quarta-feira, 24 de março de 2004

O QUE DIZEM DE NÓS

Eis o que dizem de nós por essa Europa fora. Dedicado a lagartos e lampiões e demais anti-portistas

Em França escrevem isto

Gosto sobretudo de parte em que nos chamam máquina ganhadora. E em que dizem que o Lyon vai precisar de ter um nível de jogo quase inédito para passar a eliminatória.

No site da Uefa reza assim:

E até os castelhanos!

Percebem agora porque o local onde se joga a final da taça é só importante por uma questão de princípio? Que estamos noutra dimensão, inatingível pelos mortais infiéis? Que até no esqueleto da Luz sem adeptos nossos e com o Calabote ganhamos o jogo?

Eles até se passam...

Grande vitória...
Os comentadores do canal ESPN Brasil passaram-se com o Mágico Porto.
Ficaram sem palavras na entrada de jogadores e depois com a nossa vitória.
Já querem a nossa desforra com o Milão.
Anda Rui Bosta, vais ter que ver do banco uma grande joga...
PPPPPPOOOOOOORRRRRRTTTTTTOOOOOO

terça-feira, 23 de março de 2004

DE VENTO EM POPA

Chegado de mais uma noite de glória no Estádio do Dragão, não podia deixar de vir aqui deixar umas breves impressões. A primeira é a que estamos com um pé e meio nas meias finais, onde por certo temos encontro marcado com a equipa onde o Rui Bosta aquece o banco. Óptimo, temos umas contas a ajustar desde o Mónaco... Quanto ao jogo de hoje, não foi deslumbrante, mas os franceses demonstraram ter excelente equipa. A réplica foi boa, mas estivemos à altura e tivemos paciência. Merecemos o resultado, com mais uma fulgurante exibição do Kaiser Ricardo. Desta vez coroada com uma cabeçada imperial. O Mágico, esse esteve nos lances de golo... O Paulo Ferreira brilhou ao seu nível, não sendo ultrapassado uma única vez pelo Luyundula. Enfim, estou convencido que voltamos a ganhar em França, uma vez que eles têm que atacar. Só se eles fizerem o jogo da vida deles é que nos ganham 3-0. Desta forma, já consigo justificar melhor aqui em casa o ter reservado bilhete para a final.
Gostava era de ver a cachola de todos aqueles que têm telefonado para a Bancada Central a incentivar o Lyon. Esses não aprendem... reparem, o nosso amigo Vic aprendeu que cuspir contra o vento pode resultar mal... daí ter desaparecido do mapa. Quanto mais eles se enraivecem contra nós, maior a cachola deles. Logo, maior a nossa felicidade.
Por último e porque a emoção me tolhe as palavras, deixo para vocês os comentários. Só queria realçar o magnífico ambiente do Dragão. Aquela entrada inicial das equipas, com o Estádio coberto de cartolinas azuis e brancas vai correr mundo... Ascendemos à categoria dos detentores de Estádios - Inferno!

OBRIGADO MAIS UMA VEZ PORTO!

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Três perguntas para Dias da Cunha, para que este me responda nos momentos de lucidez que a doença de Alzheimer lhe permitir:

1 - Onde está a famigerada cassete e as restantes provas concludentes do rasgar de camisola? E o processo disciplinar?

2 - Quando os lampiões estiverem mesmo pertinho de roubar o 2º lugar, vão continuar a ser amiguinhos, frequentando alegremente os estádios uns dos outros?

3- A chapa 4 com que volta e meia são mimoseados cá no Norte (Paços de Ferreira, Porto, Rio Ave) pode-se considerar sistema?

Obrigado antecipadamente pela resposta. Isto partindo do princípio que no asilo há internet para que me possa responder.

segunda-feira, 22 de março de 2004

AMANHÃ HÁ GRANDE JOGO..

Estou em terra de Vera Cruz. No entanto às vezes parece que estou em Portugal, tantas as vezes que vejo miúdos com a camisola do grande Mágico Porto. E tantas asvezes que ponho potugueses e brasileiros a cantar o Allez, Porto, allez, nós somos a tua voz...
Pois é, amanhã há mais um grande jogo. Para ganhar. Como estou longe fisicamente e no Dragão em espírito, vou gritar bem alto o nome do nosso clube. E vamos mais uma vez mostrar ao Mundo quem somos!!!
PPPPPPOOOOOOORRRRRTTTTTTTTTTOOOOOOOOOO

sábado, 20 de março de 2004

Mesmo longe as boas notícias chegam...

Mesmo estando no estrangeiro as boas notícias chegam a todo o momento.
Então não é que a banda de música do Vic está a levar três capotes ao intervalo?
Que bem que me sabe...

quinta-feira, 18 de março de 2004

ENTREVISTA AO ÚNICO E INCOMPARÁVEL INOCÊNCIO CALABOTE

Os mais distraídos e/ou os mais novos perguntar-se-ão afinal quem é esse Calabote de quem tanto falamos aqui no Dragão. E perguntam ainda o significado do termo calabotice por nós criado. Porventura até já terão percebido que o Lucílio Baptista não foi baptizado com esse nome por nenhum sacerdote, mas por nós. Pois então, recuperei esta entrevista desse SENHOR da arbitragem ao EXPRESSO, há uns tempos atrás. Como é óbvio, só sei da existência deste inocente por aquilo que o meu Pai me contava. Porque é preciso que todos saibamos o que se passava quando não havia democracia. Se agora é o que é, na altura oficialmente havia o clube do estado. Nós éramos os Andrades e tínhamos o estigma da ponte da arrábida. Dizia-se que mal a percorríamos para sul, já íamos a perder. É fácil contabilizar os títulos que tínhamos até 25 de Abril de 74 e os que conseguimos depois. Ora então, cá vai esta pérola:

«A bem da nação»
Era um domingo muito especial, o de 22 de Março de 1959, em termos de
futebol, quer-se dizer. O calendário era outro, e o Campeonato Nacional da I
Divisão da época 1958-59 vivia, nesse dia, a sua última jornada. E que
jornada! Benfica e Porto, empatados em pontos e nos jogos disputados entre
si, eram os únicos candidatos ao título. A separá-los, na corrida, apenas
uma diferença de quatro golos favorável aos «azuis e brancos» (78-22 do
Porto contra 71-19 do Benfica). Para se tornarem campeões, os «encarnados»
teriam de ganhar o último encontro por uma vantagem superior em quatro golos
àquela que os portistas conseguissem.
Sem directos televisivos, o país estava suspenso, depois do almoço
domingueiro, dos relatos que a Rádio, ainda sem transmissões em cadeia,
assegurava, em simultâneo nessa tarde, dos dois encontros. O Benfica recebia
na Luz, com casa cheia, o Desportivo da CUF, do Barreiro. O Porto, pela sua
parte, enfrentava o Torreense, em Torres Vedras, a transbordar. E a
expectativa era tanto maior quanto se sabia que CUF e Torreense, em riscos
de descerem de divisão (como acabariam por descer, face às derrotas que
sofreram nesse dia), iriam fazer a vida cara aos adversários. Os jogadores
destes dois clubes tinham mesmo prémios especiais (e secretos) para o caso
de conseguirem contrariar as naturais aspirações de vitória dos dois
grandes.
Inocêncio João Teixeira Calabote, árbitro da Comissão Distrital de Évora,
foi escolhido para apitar o Benfica-CUF. Considerado e premiado pela
Comissão Central de Árbitros, «pelo Desporto e a Bem da Nação», como o
melhor da época 1952-53, era indicado à FIFA como árbitro internacional na
época seguinte (distinção que voltaria a merecer em 1956-57) e apontado um
ano depois pelo próprio presidente da Comissão Central, na altura Filipe
Gameiro Pereira, como «do melhor que tem passado pelo sector da arbitragem»,
numa entrevista concedida ao jornal «A Bola» em 26 de Março de 1955. E havia
razões de sobra para escolher um juiz com o perfil de «honrado» e de
«independente» como o de Inocêncio Calabote para arbitrar esse Benfica-CUF
de 1959. É que ao longo da época, em particular durante a segunda volta, os
«encarnados» tinham acumulado múltiplas razões de queixa contra as
autoridades responsáveis pelos destinos do futebol.
A primeira grande injustiça de que o clube da Luz se sentiu vítima, nessa
época, girou em torno de um castigo de cinco jogos de suspensão aplicado a
Chino, o influente extremo-direito da equipa. Quando a pena estava
praticamente cumprida, o castigo foi reduzido para um jogo apenas!
Jornadas mais tarde, depois de um protesto do Belenenses referente a um jogo
com o Benfica ter sido aceite pelas autoridades federativas (primeiro por
ter sido negado aos homens da cruz de Cristo um golo directo conseguido na
marcação de um canto e depois pela barreira defensiva dos encarnados se ter
alegadamente mexido antes de Matateu, a estrela da equipa, apontar um golo
de livre), o clube da Luz viu o jogo de repetição ser marcado para a
quinta-feira anterior à partida decisiva com a CUF.
Por fim, o encontro que os «encarnados» disputaram em Alvalade, na penúltima
jornada, no domingo anterior, ficara marcado por cenas de autêntico
pugilato, que fizeram com que a equipa terminasse a partida com apenas nove
jogadores, por expulsão de Ângelo e lesão de Artur.
Minutos dramáticos
O Estádio da Luz estava à cunha. A equipa de arbitragem - Inocêncio Calabote
foi auxiliado por Madeira da Rocha e por Manuel Fortunato - foi a primeira a
entrar em campo, uns cinco minutos antes da hora prevista para o início da
partida, seguida, nos minutos seguintes, pela turma do Barreiro. Os
responsáveis «encarnados» admitem que atrasaram o mais possível a entrada da
sua equipa no relvado, de forma a poderem beneficiar do conhecimento do
resultado em Torres Vedras. «Faltariam aproximadamente dois minutos para as
quinze horas quando entrou a equipa do Benfica», declararia, mais tarde,
Manuel Fortunato, um dos fiscais de linha, no âmbito de um processo
disciplinar que viria a custar a irradiação de Inocêncio Calabote, mais de
20 anos depois dos «bons serviços» que, unanimemente, prestou à arbitragem.
«Havia numerosos fotógrafos dentro do campo para fotografar a equipa. Isto
deu lugar a uma certa demora, tendo o árbitro procurado que os fotógrafos
abandonassem o campo. Isto fez com que o jogo principiasse uns três minutos,
aproximadamente, depois das quinze horas», adiantou o auxiliar.
Apesar do esforço dos homens do Barreiro, a primeira parte correu de feição
para as aspirações do Benfica, que chegou ao intervalo a vencer por 4-0. Aos
58 minutos de jogo, o cufista Quaresma reduziu para 5-1, colocando assim o
FC do Porto em vantagem. Mas o Benfica, em tarde inspirada, não tardaria a
fazer os 6-1.
Os últimos minutos, segundo relata a Imprensa da época, foram «dramáticos»
nos dois campos. Primeiro, na Luz, Mendes fazia os 7-1, dando o título ao
Benfica. Depois, em Torres, Noé marcava o segundo golo do Porto, empatando
de novo a contenda entre os dois grandes. E, a vinte segundos do final desta
partida, Teixeira elevava a marca para 3-0, colocando a faixa de campeão ao
peito dos «azuis e brancos».
Na Luz, os «encarnados» deram tudo por tudo ao longo dos seis derradeiros
minutos da partida (dez, com os descontos) mas não conseguiram voltar a
marcar. Por um só golo (81-22 contra 78-20), o FC do Porto, na altura
treinado por Bela Guttmann sagrava-se campeão nacional.
«Na manhã seguinte, em Évora, preenchi o relatório do jogo, que mandei para
a Comissão. Tinha assinalado três penaltis e expulsado três jogadores da
CUF. Creio que não houve mais nada de especial a registar.»
Isto pensava ele, na sua inocência de Inocêncio puro, longe ainda de saber,
como viria a apurar mais tarde, quantas coincidências nefastas se não podem
cruzar no caminho dos inocentes. «Em 58-59, a presidência da Comissão
Central de Árbitros, por força da rotatividade do cargo ou de qualquer coisa
no género, foi parar às mãos do Belenenses, então um dos quatro grandes, na
pessoa do dr. Coelho da Fonseca. O presidente anterior veio a Évora
avisar-me um belo dia: 'Você ponha-se a pau, que a Comissão que entrou vem
com intenções de o irradiar', disse-me ele, o Gameiro Pereira. Queriam
vingar-se.
«Logo de seguida, depois do tal Benfica-CUF, alegando má-fé minha no
preenchimento do relatório do jogo - que teria começado não sei quantos
minutos depois da hora, que teria tido um intervalo maior que o devido e um
prolongamento excessivo também -, o dr. Coelho da Fonseca abriu-me um
inquérito e não descansou enquanto não conseguiu que me fosse aplicada a
pena de irradiação da arbitragem. Ao fim de 22 anos de bons e leais
serviços, conseguiram pôr-me na rua alegando um pretenso erro meu de
cronometragem. E se escrevi no relatório que prolonguei a partida durante
quatro ou cinco minutos foi porque entendi que o devia ter feito e porque
foi esse o tempo que o meu relógio realmente marcou. E qual é o relógio que
conta?»
Depois de mais de 20 anos dedicados à causa da arbitragem, Inocêncio
Calabote viu-se irradiado por um pretenso erro de meia dúzia de minutos.
«Não, nunca ninguém me acusou de suborno, de comprado ou de coisa no género,
que nunca ninguém encontrou matéria para tal. Aplicaram-me a pena máxima só
porque o meu relógio, pretensamente, não tinha o rigor de um cronómetro
acima de qualquer suspeita.»
E repete-se inocente, Inocêncio João Teixeira Calabote. Sem esperança nos
homens, até que o esquecimento o liberte.
AINDA hoje, quase 40 anos depois dos acontecimentos que viriam a marcar, de
forma tão dramática, a sua vida, Inocêncio Calabote experimenta, mesmo sem
querer, sentimentos contraditórios em relação ao que então se passou: por um
lado, gostaria de poder esquecer, de ter artes para varrer tudo da memória e
deixar a cabeça limpa, como uma casa arrumada, como se nada, alguma vez,
tivesse realmente sucedido; por outro, a «injustiça» que lhe fizeram foi tão
grande, tão violenta que o próprio corpo ainda agora se lhe arrepia todo
sempre que, quando menos o espera, o fluir do sangue lhe traz de volta ao
coração o sabor amargo do desamor dos homens.
Nunca mais fui a um estádio, não sou capaz. Gosto de ver o futebol na
televisão. Mas, depois, vou-me deitar, e a cabeça não pára, só quando
consigo adormecer.»

REPARARM: 3 PENALTIES E TRÊS EXPULSÕES!!!!!!!

A ANEDOTA DA SEMANA

Na sequência duma rubrica criada a semana passada, venho então atribuir o prémio da anedota da presente semana.

3º lugar - SENHOR CAMACHO (como se lembram, este é o único treinador em Portugal que para além de Mister, é também senhor). Pela 2ª vez e já que não ganha mais nada, tem direito a prémio neste blogue. O facto de ter, enfaticamente, colocado o rótulo de jogo do ano à meia final com os mortos-vivos do restelo, fez-me ficar bem disposto. Sim, porque a final é com o Porto e essa está perdida à partida. Tal como a eliminatória com os rotos de Milão. Logo, o melhor que pode aspirar este ano é ser finalista derrotado da taça de Portugal (de preferência por menos de 3).

2º lugar - ABOMÍNAVEL HOMEM GAUCHO - O (alegadamente) treinador da selecção de todos eles esta semana já desceu a fasquia. Até há pouco, veio para ser campeão da europa. Agora, diz que só se pode exigir as meias finais (claro, até ele reconhece quão má é a sua equipa). Se calhar, depois do jogo com a Itália, já só pede a passagem da 1ª fase (isto porque os árbitros vão ser uns calabotes à escala europeia e vão fazer o frete à selecção de todos eles).


1º lugar - CARLOS QUEIRÓS - O moçambicano ex-capataz do chéché Ferguson foi indecentemente humilhado pelo Saragoça ontem na final da taça. Apesar de jogar meia hora com um jogador a mais, viu a sua peseteira equipa ser gozada pelos adeptos do Saragoça que, pese embora a referida contrariedade e com o jogo ainda empatado, correram o real a olés, enquanto a sua equipa fazia o peseteiro figo e cª. cheirarem a bola. Foi um gozo ver o Raul parecer o Nuno Gomes e o Zidane o Fernando Aguiar. Meus amigos, com aqueles jogadores, o Mourinho ganhava as próximas dez ligas dos campeões. É a prova que não basta o dinheiro. É preciso dirigentes capazes e um bom treinador. Aliás, dá-me impressão que basta um treinador suficiente menos. Acho que até o alcoólico Toni se arriscava a fazer melhor. Por isso, professor oriundo dos PALOPS, este prémio de consolação pela derrota é seu.

quarta-feira, 17 de março de 2004

CARTA ABERTA DE REPÚDIO À SAD DO FCP

Ils. Senhores Administradores da FCP SAD:

Permitam-me a veleidade de, por esta forma, vir manifestar o meu mais veemente repúdio pela forma como Vªs. Exªs. dirigem os destinos do Clube pelo qual, infelizmente, sofro. Na verdade, desde há cerca de dois anos que Vªs. Exªs., de forma despudorada, atentam gravemente contra o património amealhado por mim e pelos meus consócios a custo de muito suor. Tudo começou quando resolveram contratar esse bárbaro de nome José Mourinho, rei da arrogância. Não é que esse senhor resolveu fazer do nosso clube uma potência mundial? A consequência trágica disso foi o desembolsar de muitas centenas, milhares diria até, de euros no acompanhamento da equipa. Senão reparem Vªs. Exªs.: desde o pagamento de quotas, passando pelo lugar anual, só na época passada obrigaram-me a ir a Sevilha durante a semana de trabalho e ao Mónaco. Isto para não falar da deslocação sempre sacrificada a terra de infiés para a final da taça de Portugal. Ora, pensei eu durante o meu delírio de amor clubista, isto para o ano não se pode repetir. Têm que acalmar, que não há bolsa que aguente. Mas, não, não é que esse malfadado Mourinho resolve repetir a gracinha? Que mania tem ele de quebrar recordes... é o maior número de vitórias seguidas em derbies, vitórias seguidas em casa e por aí fora. E vªs. Exªs. não têm mão nele...
O motivo maior do meu protesto foi o sucedido na última semana. Não podiam estar quietos! Tinham que eliminar o Manchester e pôr-me na sexta-feira seguinte a reservar um bilhete para a fibnal da Liga dos Campeões. E ontem, claro, encomendei o bilhete para o jogo com o Lyon.Não me deixando respirar, à noite chegam à final da Taça de Portugal outra vez. Para mim, foi a gota de água. Já não há paciência para tantas vitórias. Ainda por cima, a SAD não prima pela originalidade. Agora, pergunto eu, acham que é fácil um trabalhador honesto chegar a casa e explicar à mulher que reservou, com duas eliminatórias de antecedência, um bilhete para a final? É que este facto, para além do rombo no orçamento familiar, implica ainda ter que fingir estar feliz com a minha cara metade na ida às compras. Claro, durante um mês não posso protestar. E ainda tenho que sorrir a fazer as lides domésticas... Tudo por vossa culpa! E estou certo que muitos portugueses estão a sofrer como eu. Sei que Vªs. Exªs. não vão ligar nada a esta singela missiva, uma vez que com a vossa execrável sede de vitórias estão ocupados demais a planear a próxima temporada. Que raio de mania essa de terem que estar sempre a contratar Carlos Albertos, Macieis, Pedros Mendes... Por amor de Deus, parem! Esta é a súplica de uma alma amargurada, que não tem culpa de sofrer pelo FCPorto!

Muito obrigado pela Vossa atenção.


Apresenta os melhores e mais respeitosos cumprimentos,

Azulão