Fui surpreendido de manhã com uma notícia relâmpago na Sic Notícias. Tal notícia dava conta que um obscuro brasileiro qualquer, biógrafo do Abominável Homem Gaúcho, confessara ao JN que o saneamento de Baía se devera a imposição da FPF. À hora do almoço li essa entrevista no referido jornal.
Não posso dizer que isto seja uma surpresa. Todo o país futebolístico segreda baixinho há muito tempo que Baía fora saneado por Madaíl por ter cometido o crime hediondo de ser testemunha de António Oliveira no processo laboral intentado contra a FPF. Logo a seguir ao Mundial da Coreia/Japão se falou nisso, estendendo-se esse veredicto a Jorge Costa que, pura e simplesmente, os mandou às malvas e renunciou à selecção.
Ora, isto oferece-me os seguintes comentários - em primeiro lugar, o despudor absoluto da corja que vive às custas da FPF. Esta instituição não tem dinheiro para pagar a indemnização à família do sportinguista assassinado por um animal da claque vermelha. Todavia, dinheiro não lhe falta para recorrer sistematicamente de todas as decisões que a condenaram a esse pagamento.
A FPF também não tem dinheiro para indemnizar Oliveira por ter sido corrido antes do fim do contrato. É natural. O dinheiro é preciso para contratar um gaúcho que lhe faça o serviço sujo, a troco de ser o 3º seleccionador mais bem pago do Mundo.
Este último vomita e vocifera que é o sargentão que manda em tudo, incluindo a selecção sub 21. No entanto, revela-se o mais reles soldado raso, que vende a sua dignidade profissional a troco de muito dinheiro. Que importa que não possa selecionar o jogador mais titulado da história do desporto rei, se ganha num mês o que o seu Estado natal não ganha num ano? A selecção que se dane. Ele até é brasileiro...
Neste entretanto, os senhores jornalistas, que sabem perfeitamente porque Baía não é convocado, não têm coragem para o escrever ou dizer claramente. Escondem a barbaridade, dela ficando coniventes. Pior ainda, arvoram-se em patriotas, chorando lágrimas (de sáurio), com cada golo da "equipa de todos nós", enquanto promovem a níveis que roçam o nojento esse estrangeiro que vem delapidar dinheiros públicos. Pelo caminho, fingem que somos todos lobotomizados neste país, e fazem crer que o carinhosamente apodado de Aviário do Montijo é a última maravilha do futebol, porque defende um penalty sem luvas. Como machadada final a todos os anti-patriotas, certamente dirão do aludido biógrafo nos próximos dias o que Maomé não disse do toucinho, para o desacreditarem.
Por último, deixem-me que me refira aos portuguesinhos. O portuguesinho é aquele ser que compra uma bandeira por 2 euros no Continente e a coloca, de preferência com as cores invertidas, na varanda de sua casa. Se for um portuguesinho com p maiúsculo, até coloca uma mais pequena na antena do carro. Devora 7 novelas (brasileiras, pois claro) por dia e delicia-se com Iran (não confundiar com o País que, nas palavras do gaúcho, vai ser seu adversário no sábado) Costa. O portuguesinho é, numa média de 60%, bom chefe de família e "ama" o gaúcho porque não selecciona ninguém do Porto, aquele clube regional da cidade dos parolos. O seu patriotismo é tão grande que, quando não há Euro ou Mundial passa todo o ano a dizer que "lá fora é que é", enquanto tenta engendrar todo o tipo de esquemas para fugir aos impostos ou à tropa. O portuguesinho é, afinal de contas, quem sustenta a FPF e mantém o Abominável Homem Gaúcho no seu trono dourado, a aculturar o país. A sua devoção e patriotismo são tão grandes, que um dia destes não se importarão de ver em Fátima a Virgem de Caravaggio. Desde, claro, que o Quaresma e o Baía não vão à "equipa de todos nós".
Como neste País de "gente bacana" não é tudo "legal", existem sempre os "cafajestes". O cafajeste é o parolo adepto do clube regional (também conhecido pelo AHG como intelectual), que, num fervor profundamente anti português, se recusa a achar que um conjunto de pré-reformados, alguns sem clube, defendem as cores de Portugal, só porque vestem de verde e vermelho. São aqueles que, reflectindo no termo selecção nacional, acham que esta deve ser uma escolha do melhor que o País tem para oferecer e não uma triagem dos que não dizem mal de Madaíl e seus acólitos. Ah, cambada de traidores sem vergonha...
quarta-feira, 14 de junho de 2006
O Dragão n'O Jogo
A saga dos equipamentos já mereceu mais um ponto alto deste blog, agora perto de atingir os 200.000 visitantes, ao fazer uma notícia no diário desportivo O Jogo.
De facto, não só aqui n'O Dragão como também noutros blogues azuis os equipamentos foram unanimes na contestação, mais ou menos generalizada, como é retratado na noticia - também o FeCePe e o Portogal são lá referenciados, mas também as Tripeiras com o seu bom gosto feminino são criticas, por exemplo, entre outros exemplos abundantes na blogosfera.
Tal como eu disse no comentário aos equipamentos e que foi usado para titular a noticia, nem os santos, S.Pedro e Santa Bárbara, gostaram dos equipamentos, obrigando a adiar a apresentação dos mesmos...
De facto, não só aqui n'O Dragão como também noutros blogues azuis os equipamentos foram unanimes na contestação, mais ou menos generalizada, como é retratado na noticia - também o FeCePe e o Portogal são lá referenciados, mas também as Tripeiras com o seu bom gosto feminino são criticas, por exemplo, entre outros exemplos abundantes na blogosfera.
Tal como eu disse no comentário aos equipamentos e que foi usado para titular a noticia, nem os santos, S.Pedro e Santa Bárbara, gostaram dos equipamentos, obrigando a adiar a apresentação dos mesmos...
segunda-feira, 12 de junho de 2006
EQUIPAMENTOS PARA2006/2007: MINHA NOSSA SENHORA...
E pagaram a algum designer para desenhar este alternativo indescritível? Há que exigir a devolução do dinheiro...
sábado, 10 de junho de 2006
Baía: «Quero voltar a ser o número 1»
Resumo da entrevista ao Expresso este fim de semana.

O Mundial de Futebol abriu ontem as portas e Portugal tem amanhã o seu pontapé de saída frente a Angola. Tal como aconteceu no Euro-2004, o Vítor Baía volta a ser o grande ausente da Selecção Nacional. Qual a razão por que o seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari, não gosta de si?
Numa entrevista televisiva, na SIC Notícias, Scolari já disse que não o considerava o melhor guarda-redes português.
Na sua carreira teve um único grande problema disciplinar.
O Mundial de Futebol abriu ontem as portas e Portugal tem amanhã o seu pontapé de saída frente a Angola. Tal como aconteceu no Euro-2004, o Vítor Baía volta a ser o grande ausente da Selecção Nacional. Qual a razão por que o seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari, não gosta de si?
Isso eu também gostava de saber. Esta situação vai perpetuar-se: daqui a 10, 20, 30 ou 40 anos toda a gente se vai lembrar do caso. É um enigma. É uma situação para a qual ninguém consegue encontrar explicação. Só há uma pessoa que tem a explicação para isso e essa pessoa nunca teve a coragem de admitir ou de falar publicamente o porquê. Enquanto assim for, isto vai ser falado como uma das maiores injustiças do futebol nacional.
Numa entrevista televisiva, na SIC Notícias, Scolari já disse que não o considerava o melhor guarda-redes português.
Ele é evasivo. Disse que considerava que convocava os melhores mas nunca disse que eu não era o melhor. Escondeu-se sempre na capa de seleccionador. Ou seja: «Só falo dos que cá estão». Vamos ver se quando ele sair, quando já não tiver a capa de seleccionador, se diz quais são os verdadeiros motivos. Porque, como ele não assume, aparecem nos meios de comunicação social boatos, não se sabe de onde, para branquear. Mas nunca é nada da boca do seleccionador. Já surgiram tantas coisas - algumas delas nada simpáticas para comigo, nomeadamente que eu não seria convocado por questões disciplinares, de comportamento e eu nunca tive um único problema disciplinar na minha vida de jogador de Selecção. Nunca!
Na sua carreira teve um único grande problema disciplinar.
Tive um, com o José Mourinho, mais isso é outra questão. Nunca tive qualquer problema com nenhuma pessoa relacionada com a Selecção - nem presidentes, nem directores... Absolutamente nada! O comportamento com os meus colegas foi sempre impecável. Portanto, é uma questão do próprio seleccionador. Tenho de respeitar mas não posso aceitar. Tenho esse direito de não aceitar. Aliás, estive com o seleccionador uma vez e gostei de ter conversado com ele. Pareceu-me uma pessoa de bem, por isso é que estranho tudo isto.
Listagem de Contratações (VIII)
Nova actualização, algumas, poucas, novidades.
Mais volto a informar que esta listagem não é transmite as minhas (nossas, do blog) opções preferenciais para o FC Porto mas, de outra forma, resume aquilo que os jornais e rádios vão dando conta quanto a movimentações de mercado relacionadas com o nosso mágico clube, quer quanto a possiveis contratações para a próxima época quer quanto a vendas e empréstimos do plantel desta época, excluindo-se portanto joagdores com contrato com o clube mas emprestados a outros clubes na época passada.
Depois poderemos aferir da credibilidade e percentagem de noticias que os órgãos de comunicação social transmitem...
Possiveis entradas:
João Paulo (Leiria) -> CONFIRMADO
José Castro (Académica) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Rolando (Belenenses)
Ruben Amorim (Belenenses)
Luís Filipe (Braga)
Andrés Madrid (Braga)
Harrison (Leiria)
Diogo Valente (Boavista) -> CONFIRMADO
Saganowski (Vitória)
Duda (Málaga, Espanha)
Seitaridis (Dynamo de Moscovo, Rússia) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Max Tonetto (Sampdoria, Itália) -> assinou pela Udinese, Itália
Miguelito (Nacional)
Mourad Meghni (Sochaux, França)
Huntelaar (Ajax, Holanda)
Hesselink (PSV, Holanda)
Landzaat (AZ Alkmaar, Holanda)
Purovic (Estrela Vermelha, Sérvia)
Paíto (Maiorca, empréstimo)
Novidades:
Carew (Lyon)
Zé Kalanga (Angola)
Van der Meyde (Everton)
Possiveis vendas:
McCarthy (Marselha, Portmouth e Everton)
Ricardo Costa (Marselha, PSG)
Diego (Werder Bremen) -> CONFIRMADO
Hugo Almeida (Roma, Hamburgo, Leverkusen e Hertha)
César Peixoto (Inglaterra)
Ivanildo (Leiria, empréstimo) -> CONFIRMADO
Bosingwa (Sevilha e Mónaco)
Quaresma (Chelsea)
Hélder Barbosa (Boavista, empréstimo)
Mais volto a informar que esta listagem não é transmite as minhas (nossas, do blog) opções preferenciais para o FC Porto mas, de outra forma, resume aquilo que os jornais e rádios vão dando conta quanto a movimentações de mercado relacionadas com o nosso mágico clube, quer quanto a possiveis contratações para a próxima época quer quanto a vendas e empréstimos do plantel desta época, excluindo-se portanto joagdores com contrato com o clube mas emprestados a outros clubes na época passada.
Depois poderemos aferir da credibilidade e percentagem de noticias que os órgãos de comunicação social transmitem...
Possiveis entradas:
João Paulo (Leiria) -> CONFIRMADO
José Castro (Académica) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Rolando (Belenenses)
Ruben Amorim (Belenenses)
Luís Filipe (Braga)
Andrés Madrid (Braga)
Harrison (Leiria)
Diogo Valente (Boavista) -> CONFIRMADO
Saganowski (Vitória)
Duda (Málaga, Espanha)
Seitaridis (Dynamo de Moscovo, Rússia) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Max Tonetto (Sampdoria, Itália) -> assinou pela Udinese, Itália
Miguelito (Nacional)
Mourad Meghni (Sochaux, França)
Huntelaar (Ajax, Holanda)
Hesselink (PSV, Holanda)
Landzaat (AZ Alkmaar, Holanda)
Purovic (Estrela Vermelha, Sérvia)
Paíto (Maiorca, empréstimo)
Novidades:
Carew (Lyon)
Zé Kalanga (Angola)
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Possiveis vendas:
McCarthy (Marselha, Portmouth e Everton)
Ricardo Costa (Marselha, PSG)
Diego (Werder Bremen) -> CONFIRMADO
Hugo Almeida (Roma, Hamburgo, Leverkusen e Hertha)
César Peixoto (Inglaterra)
Ivanildo (Leiria, empréstimo) -> CONFIRMADO
Bosingwa (Sevilha e Mónaco)
Quaresma (Chelsea)
Hélder Barbosa (Boavista, empréstimo)
quinta-feira, 8 de junho de 2006
Descobri num blog portista...
A crónica do Cristiano Pereira (Jornalista JN) sobre a final de Sevilha. Vale a pena ler. Retirado do http://blogs.tripanario.com
CRÓNICA DE UM DRAGÃO
O meu dia 21
6 da manhã, Alfama, Lisboa - Acordo, isto é, salto da cama (mal fechei os olhos com a ansiedade), tomo um duche, enrolo o cachecol e saio à rua.. Está sol. E sinto uma felicidade rara, um furacão de contentamento de quem ainda se está a aperceber que afinal, foda-se, afinal vou. Afinal vou à final. E vou mesmo. Há 12 horas atrás chorava de frustração e agora quase de emoção. Já estou a ir. Caralho. As ruas parecem bonitas, o planeta é belo. Desco a Santa Apolónia rumo à estação do Oriente onde fiquei de me encontrar com 4 amigos que estavam a chegar do Porto. As pessoas que se cruzam comigo(e com o azul que me abraça o tronco) lançam-me luminosos sorrisos, erguem o polegar e não raras vezes vociferam "Boa sorte" ou "hoje somos todos da mesma cor". Há carros que apitam.
7 horas, Lisboa - Frente ao Vasco da Gama, vislumbro o carro dos meus amigos. Um deles tem o cabelo pintado de azul e metade do corpo fora da janela. É o Giró, figura incontornável do punk rock tripeiro (foi baterista dos Renegados de Boliqueime). Ele grita. O carro apita. São sete da manhã e estes gajos chegam bebados a Lisboa. Menos o condutor, claro. Siga para Andaluzia, a duzentos à hora, num Audi xpto turbo qualquer coisa e a ouvir o disco dos Dr. Frankenstein. Meio dia, Sevilha
- Escusado será dizer que o rapaz do cabelo azul aterrou a meio do Alentejo. Já acordou. Estamos em Sevilha. Foda-se. Já vemo o estádio ali à frente. E só dá gajos vestidos de verde. Parecem lagartos. Estacionamos o carro. Está um calor filho da puta. E bota filho da puta nisso: estão 41 graus. No início achamos piada à temperatura. Estamos todos de tronco nu e decidimos ir até ao centro da cidade. Estamos desidratados. Um calor filho da puta.
15 horas - As principais artérias do centro da cidade estão cortadas ao trânsito. As ruas estão apinhadas de gente vestida de verde. É impressionante a quantidade de escoceses que aqui estão. Diz-se que são mais de cem mil. Não sei. Mas são mais do que as mães. Penso: Glasgow deve estar deserta. O calor parece aumentar até se tornar insuportável. Bebe-se muito. Há escoceses que nos abraçam. Fazemos brindes. Pagam-me copos. Cantam. A polícia observa. E já há centenas de gajos literamente aterrados no passeio. Depois de não sei quantas cervejas aparece, caído do céu, um verdejante legume. É erva. E não é uma erva qualquer. É skunk. Enrolo o charro enquanto um grupo de escoceses tece rasgados elogios ao Cadete. Acendo o charro e penso que, para mim, o Cadete mais não é do que um jogador medíocre e um cromo do Big Brother. O charro começa a bater.. E de que maneira. Filho da puta de calor.
16 horas - Estamos todos meio desorientados. É impossível andar mais de 50 metros debaixo deste sol sem parar para beber mais uma cerveja. Começo a sentir-me totalmente alterado pela mistura de aditivos e pela ansiedade trepidante. Sou assaltado por uma lucidez que me faz pensar: "Foda-se, não bebas mais. Não entres no estádio ainda mais bebado. Ainda aterras e não vês o jogo". Há que ir para o estádio. Ainda fica longe. Não há táxis. Os autocarros estão cheios. Vamos indo a pé. Filho da puta de calor. Milagre: um dos autocarros abre-nos a porta. Está cheio como um ovo de escoceses que berram e muito, eles cantam, e muito. Ficam todos contentes por partilharmos o mesmo Bus. Somos os únicos portugueses dentro do autocarro. Eles recebem-nos com cumprimentos e cantam. Estão sempre a cantar, estes gajos. Filho da puta de calor.
17,30 horas - Chegamos ao estádio. É preciso ter cuidado com o bilhete. Anda aí gente capaz de matar só para roubar o apetecido rectângulo de papel. O meu está guardado dentro da sapatilha, envolvido em plástico. Entro no estádio. Nem sequer me revistam. Subo ao meu lugar,. Estou na bancada central, "Grada Alta, Puerta P, Sector 201 B, Fila 20, Asiento 25". Sento-me. Agora sim. Penso: foda-se, estou mesmo aqui. Fico durante minutos calado a saborear essa constatação. A realidade. Este lugar é excelente. Está mesmo a meio do relvado, uns metros acima do banco do Celtic. À minha volta portugueses misturam-se com escoceses. Até o verde do relvado parece adquirir uma luz especial. Um calor filho da puta.
18,20 - Ao meu lado está um puto castiço. Falamos da ansiedade e do desespero. Há logo uma sintonia incrível, uma inegável compreensão mútua. Ele, tal como eu, tinha arranjado bilhete poucas horas antes. Um calor filho da puta. Digo-lhe que vou ao bar comprar garrafas de água. Desco a bancada. Azar nítido: está uma fila interminável para o bar. Fico parvo a olhar para aquilo. Penso num esquema. Chego junto de um enfermeiro da "Cruz Roja" e peço-lhe água com açúcar. Ele leva-me ao gabinete médico, uma sala com ar condicionado repleta de escoceses que dormem que nem porcos derrotados pela coma alcoolica. "Pois", digo eu ao médico simpático, "não dormi nada com a ansiedade e alimentei-me mal. Este calor também não ajuda. Fiquei fraco", dramatizo, exagero, enfim, um teatro do caralho ajudad pela pedrada da erva. Ao médico não lhe passa pela cabeça que eu apenas ali estou para evitar a fila do bar. Dá-me um sumo energético. Fico lá durante uns 10 minutos a curtir o ar condicionado. O gajo aponta o meu nome num papel. Saio e trago outro sumo para o puto que me espera na bancada. Passo pela fila do bar e vejo que ainda está maior. E que não anda nem desanda. Feito esperto, rio-me para dentro com um inevitável e muy tripeiro pensamento: "vocês são mesmo morcões, caralho". Já não há ar condicionado. E, claro, está um calor filho da puta.
19 horas - A curva à minha direita está cheia. De azul. De vida. De beleza. Os portugueses entraram mais cedo no estádio. Canta-se muito. Eu também canto. Está um calor filho da puta. Entretanto, a primeira má cena do dia: os jogadores, lá em baixo, no relvado, a aquecer e, foda-se não estou a ver nenhum caralho de cabelos claros, o pânico e a dúvida apoderam-se de mim e berro: "CARALHO! ONDE ESTÁ O JANKAUSKAS?". Não está. O que está é o calor. E um calor filho da puta.
19,15 horas - Lentamente, a bebedeira vai desaparecendo e os efeitos da erva vão, claro, esmorecendo. Só o calor é que parece aumentar. E o nervosismo, claro. O estádio já está cheio. Olho para as bancadas e fico assustado com a quantidade de verde que vejo. Os gajos começam a fazer muito barulho. Foda-se. Só cantam. Umas atrás das outras. Um repertório maior do que o Frank Zappa. Esta merda vai começar e tenho que me acalmar.
19,45 - Começa o jogo. Confusão do caralho. Ninguém domina ninguém. Está tudo nervoso. Com medo. Olha, o Costinha foi ao chão. Caralho. Filho da puta. Não era ele que dizia que tinha recuperado da lesão? Foda-se, já ficamos sem o Costinha. Caralho. Não estou a gostar disto. (não olhei mais para as horas, só para o horário do jogo)
20,30 (mais ou menos) - O Porto sobe, Deco levanta a puta da bola, Alenitchev está lá, eu levanto-me, vejo o gajo a rematar de primeira, uma bomba autêntica, o cabrão do Celtic não completa a defesa, e caralho, foda-se!!! Está ali o Derlei, foda-se, caralho AS REDES ABANAM E É GOLO CARALHO! Bem, aqui eu não sei bem, acho que mando um salto, desco uns sete ou oito pisos da bancada e atropelo tudo à minha frente, desde escoceses a portugueses, passando por garrafas de água e sei lá que mais. Estou fora de mim. Acho que nem grito "golo" porque a euforia me corta a capacidade de articular sílabas. Só berro qualquer coisa. Já estou como o outro: não há orgasmo que se compare a isto. intervalo. Tento acalmar-me. Vou buscar mais água. Não há fila. É estranho. Porquê? Que cena do caralho: acabaram as bebidas. Foda-se. Nos dois únicos bares de uma bancada cheia debaixo de 38 graus e não há agua, sumo ou a puta que os pariu? A espanhola giraça que está no bar depara-se com centenas de gajos desesperados e desidratados. Começa a distribuir cubos de gelo a toda a gente e a pedir calma. Num acto de desespero apanho umas garrafas vazias do chão e vou à casa de banho, torneira aberta, encho as garrafas e ainda molho o meu corpo todo. Começo a aperceber-me que a minha garganta está esquisita, isto é, a minha voz, caput, foi com o caralho. Segunda parte. Os gajos marcam o golo. Foda-se. Um barulho descomunal. Nunca (ou)vi nada assim. É impressionante. Chega a ser assustador. Fico na merda. Novo golo do Porto. Foda-se. Agora já nao atropelei ninguem, abracei-me ao puto, caralho, vamos lá ganhar esta merda. "Vamos ganhar 3-1, vocês vão ver", diz-me um tripeiro mais velho. E volta a dizer o mesmo. Outra vez. E mais uma vez. E pimba!, os gajos empatam novamente, eh pá, puta que pariu, como é que deixam aquele cabrão ali sózinho na area, caralho? Olho para o tripeiro profeta com aquela cara de quem diz "devias ter estado calado meu ganda boi de merda". Os escoceses fazem outra vez um barulho ensurdecedor. O estádio até parece tremer. Os que estão atrás de mim berram-me ao ouvido. Há um deles que chega a pôr a mão na minha cabeça e despenteia-me todo. Eu estou fodido, claro, mas tenho fair play, nem olho para trás, o gajo está na boa, desde que não me meta a mão no cu. E não só. Começo a ficar fodido. Fico calado minutos a fio. Já nao sei se sinto nervosismo, ansiedade ou depressão. Estou sentado, calado que nem um rato, as mãos na cabeça, o coração a 320 batidas por minuto. Estou a sentir-me mal. Vejo o Celtic a dominar o jogo. Os gajos sempre a cantar. É tudo deles, foda-se. É uma tortura: começo a pensar que não devia ter ido, que sofrimento já chegava, que aquilo é tudo uma merda, que o futebol não vale um caralho, que são só meia dúzia de gajos básicos atrás da bola, que o que eu gosto é de música e poesia e que caralho, eu juro, foda-se, juro mesmo que nunca mais vou ao futebol na puta da minha vida. O puto ao meu lado deve estar como eu. Não diz nada. Às tantas abre a boca e diz-me: "Eu já não sei". Foda-se. Começo a experimentar a amargura do sofrimento mais forte que alguma vez senti. Tenho a vida reduzida a merda. Às tantas visualizo na minha mente pessoas e alguns nicks do pessoal aqui do forum (O Flash, O Plasmatron, o Manel Poças e a Anfield Road, tudo gente que nunca vi) e tento imaginar onde estarão eles àquela hora, e a pensar que deviam era estar aqui, mas, caralho, como não estão, tento entrar numa espécie de comunicação telepática com eles, de forma a, sei lá, encontrarmos um ponto de convergência mental, juntar as forças, lança-las para dentro do relvado, como se a nossa vontade pudesse cair ali dentro como uma espécie de relâmpago e fazer com que o Porto não perca bola e faça passes certos, foda-se.... eu quero que a bola esteja no meio campo deles, não passem a bola ao Baía, caralho, é para a frente que se joga, e às tantas há alguém (não me lembro quem) que volta a passar a bola ao Baía e eu aí é que me passo mesmo dos cornos. Levanto-me. Grito: "Ó FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO É PARA A FRENTE CARALHO PARA A FRENTE CARALHO!!!!!!! (ou coisa do género, não me lembro bem). À minha volta, num raio de 20 metros está tudo sentado, o pessoal olha, quem é que aquele portuga lingrinhas e de tronco nu, cromo do caralho, a gritar qualquer coisa? Os escoceses atrás de mim comentam algo entre eles num calão indecifrável. E riem-se muito. Riem-se de mim. Estão-se a rir de mim, filhos da puta? O jogo acaba, há prolongamento e eu come> ço a ficar preocupado com a minha saúde. Tento respirar fundo durante alguns minutos e começo a sentir-me relativamente melhor. Até porque o Porto já parece saber jogar à bola. Vejo o tempo a passar e só desejo mais um golo, caralho, não peço mais, basta um, foda-se, onde está o Postiga quando preciso dele?, caralho, e entro outra vez no transe de sofrimento, estilo começar a pensar para mim "foda-se, eu até dou os meus discos todos e o meu ordenado só para ganharmos esta merda" e outras merdas do género completamente inconcebíveis num momento mais racional. Segunda parte do prolongamento. Sinto-me perto da morte. Tento acender um cigarro. A mão direita treme de tal forma que nem sequer consigo encostar a chama à ponta do tubo de nicotina.O telemóvel treme no bolso. É uma mensagem escrita do Junqueira a dizer "tem calma pá.... a gente já resolve isto" e, de repente, volto a pensar na história da telepatia, e pergunto-me "mas como é que o gajo sabe que eu estou assim?" e depois penso que s calhar até é natural ele imaginar mas não deixo de pensar na telepatia e sinto-me mais confortável com aquelas letras "tem calma pá" como se eu fosse um puto assustado com algo e tivesse chegado o pai para proteger. Há o 3º golo do Porto. Não sei o que escrever. É um momento muito prateado, uma espécie de luz branca à minha volta. Devo ter gritado e saltado, sei lá, eu já nem estava no lugar, fui para os degraus mais abaixo e estava a ver aquela merda em pé, pá, nem sei bem. Sim, era tudo branco, uma espécie de névoa, estava tudo meio desfocado, e convenci-me que era Deus que ali estava a ajudar-me e fiquei fodido por nunca ter ido á missa e essas merdas e o caralho, e por já ter tido a mania que era anti-cristo na minha adolescência, e que afinal, caralho, Deus existe, e estava ali ao meu lado e eu sem saber como agradecer-lhe e pedir-lhe desculpa por todos estes anos de falta de fé. O jogo acaba. Acho que abraço toda a gente e toda a gente me abraça e que tenho os braços no ar e que tento gritar qualquer coisa mas que não consigo porque já não tenho voz e então limito-me a saltar que nem um cavalo. Os escoceses atrás de mim dão-me os parabéns e apertam-me a mão e eu, pimba, toma lá um abraço também, e a puta da vida é isto e nada mais existe na vida para além disto e deste resultado.
CRÓNICA DE UM DRAGÃO
O meu dia 21
6 da manhã, Alfama, Lisboa - Acordo, isto é, salto da cama (mal fechei os olhos com a ansiedade), tomo um duche, enrolo o cachecol e saio à rua.. Está sol. E sinto uma felicidade rara, um furacão de contentamento de quem ainda se está a aperceber que afinal, foda-se, afinal vou. Afinal vou à final. E vou mesmo. Há 12 horas atrás chorava de frustração e agora quase de emoção. Já estou a ir. Caralho. As ruas parecem bonitas, o planeta é belo. Desco a Santa Apolónia rumo à estação do Oriente onde fiquei de me encontrar com 4 amigos que estavam a chegar do Porto. As pessoas que se cruzam comigo(e com o azul que me abraça o tronco) lançam-me luminosos sorrisos, erguem o polegar e não raras vezes vociferam "Boa sorte" ou "hoje somos todos da mesma cor". Há carros que apitam.
7 horas, Lisboa - Frente ao Vasco da Gama, vislumbro o carro dos meus amigos. Um deles tem o cabelo pintado de azul e metade do corpo fora da janela. É o Giró, figura incontornável do punk rock tripeiro (foi baterista dos Renegados de Boliqueime). Ele grita. O carro apita. São sete da manhã e estes gajos chegam bebados a Lisboa. Menos o condutor, claro. Siga para Andaluzia, a duzentos à hora, num Audi xpto turbo qualquer coisa e a ouvir o disco dos Dr. Frankenstein. Meio dia, Sevilha
- Escusado será dizer que o rapaz do cabelo azul aterrou a meio do Alentejo. Já acordou. Estamos em Sevilha. Foda-se. Já vemo o estádio ali à frente. E só dá gajos vestidos de verde. Parecem lagartos. Estacionamos o carro. Está um calor filho da puta. E bota filho da puta nisso: estão 41 graus. No início achamos piada à temperatura. Estamos todos de tronco nu e decidimos ir até ao centro da cidade. Estamos desidratados. Um calor filho da puta.
15 horas - As principais artérias do centro da cidade estão cortadas ao trânsito. As ruas estão apinhadas de gente vestida de verde. É impressionante a quantidade de escoceses que aqui estão. Diz-se que são mais de cem mil. Não sei. Mas são mais do que as mães. Penso: Glasgow deve estar deserta. O calor parece aumentar até se tornar insuportável. Bebe-se muito. Há escoceses que nos abraçam. Fazemos brindes. Pagam-me copos. Cantam. A polícia observa. E já há centenas de gajos literamente aterrados no passeio. Depois de não sei quantas cervejas aparece, caído do céu, um verdejante legume. É erva. E não é uma erva qualquer. É skunk. Enrolo o charro enquanto um grupo de escoceses tece rasgados elogios ao Cadete. Acendo o charro e penso que, para mim, o Cadete mais não é do que um jogador medíocre e um cromo do Big Brother. O charro começa a bater.. E de que maneira. Filho da puta de calor.
16 horas - Estamos todos meio desorientados. É impossível andar mais de 50 metros debaixo deste sol sem parar para beber mais uma cerveja. Começo a sentir-me totalmente alterado pela mistura de aditivos e pela ansiedade trepidante. Sou assaltado por uma lucidez que me faz pensar: "Foda-se, não bebas mais. Não entres no estádio ainda mais bebado. Ainda aterras e não vês o jogo". Há que ir para o estádio. Ainda fica longe. Não há táxis. Os autocarros estão cheios. Vamos indo a pé. Filho da puta de calor. Milagre: um dos autocarros abre-nos a porta. Está cheio como um ovo de escoceses que berram e muito, eles cantam, e muito. Ficam todos contentes por partilharmos o mesmo Bus. Somos os únicos portugueses dentro do autocarro. Eles recebem-nos com cumprimentos e cantam. Estão sempre a cantar, estes gajos. Filho da puta de calor.
17,30 horas - Chegamos ao estádio. É preciso ter cuidado com o bilhete. Anda aí gente capaz de matar só para roubar o apetecido rectângulo de papel. O meu está guardado dentro da sapatilha, envolvido em plástico. Entro no estádio. Nem sequer me revistam. Subo ao meu lugar,. Estou na bancada central, "Grada Alta, Puerta P, Sector 201 B, Fila 20, Asiento 25". Sento-me. Agora sim. Penso: foda-se, estou mesmo aqui. Fico durante minutos calado a saborear essa constatação. A realidade. Este lugar é excelente. Está mesmo a meio do relvado, uns metros acima do banco do Celtic. À minha volta portugueses misturam-se com escoceses. Até o verde do relvado parece adquirir uma luz especial. Um calor filho da puta.
18,20 - Ao meu lado está um puto castiço. Falamos da ansiedade e do desespero. Há logo uma sintonia incrível, uma inegável compreensão mútua. Ele, tal como eu, tinha arranjado bilhete poucas horas antes. Um calor filho da puta. Digo-lhe que vou ao bar comprar garrafas de água. Desco a bancada. Azar nítido: está uma fila interminável para o bar. Fico parvo a olhar para aquilo. Penso num esquema. Chego junto de um enfermeiro da "Cruz Roja" e peço-lhe água com açúcar. Ele leva-me ao gabinete médico, uma sala com ar condicionado repleta de escoceses que dormem que nem porcos derrotados pela coma alcoolica. "Pois", digo eu ao médico simpático, "não dormi nada com a ansiedade e alimentei-me mal. Este calor também não ajuda. Fiquei fraco", dramatizo, exagero, enfim, um teatro do caralho ajudad pela pedrada da erva. Ao médico não lhe passa pela cabeça que eu apenas ali estou para evitar a fila do bar. Dá-me um sumo energético. Fico lá durante uns 10 minutos a curtir o ar condicionado. O gajo aponta o meu nome num papel. Saio e trago outro sumo para o puto que me espera na bancada. Passo pela fila do bar e vejo que ainda está maior. E que não anda nem desanda. Feito esperto, rio-me para dentro com um inevitável e muy tripeiro pensamento: "vocês são mesmo morcões, caralho". Já não há ar condicionado. E, claro, está um calor filho da puta.
19 horas - A curva à minha direita está cheia. De azul. De vida. De beleza. Os portugueses entraram mais cedo no estádio. Canta-se muito. Eu também canto. Está um calor filho da puta. Entretanto, a primeira má cena do dia: os jogadores, lá em baixo, no relvado, a aquecer e, foda-se não estou a ver nenhum caralho de cabelos claros, o pânico e a dúvida apoderam-se de mim e berro: "CARALHO! ONDE ESTÁ O JANKAUSKAS?". Não está. O que está é o calor. E um calor filho da puta.
19,15 horas - Lentamente, a bebedeira vai desaparecendo e os efeitos da erva vão, claro, esmorecendo. Só o calor é que parece aumentar. E o nervosismo, claro. O estádio já está cheio. Olho para as bancadas e fico assustado com a quantidade de verde que vejo. Os gajos começam a fazer muito barulho. Foda-se. Só cantam. Umas atrás das outras. Um repertório maior do que o Frank Zappa. Esta merda vai começar e tenho que me acalmar.
19,45 - Começa o jogo. Confusão do caralho. Ninguém domina ninguém. Está tudo nervoso. Com medo. Olha, o Costinha foi ao chão. Caralho. Filho da puta. Não era ele que dizia que tinha recuperado da lesão? Foda-se, já ficamos sem o Costinha. Caralho. Não estou a gostar disto. (não olhei mais para as horas, só para o horário do jogo)
20,30 (mais ou menos) - O Porto sobe, Deco levanta a puta da bola, Alenitchev está lá, eu levanto-me, vejo o gajo a rematar de primeira, uma bomba autêntica, o cabrão do Celtic não completa a defesa, e caralho, foda-se!!! Está ali o Derlei, foda-se, caralho AS REDES ABANAM E É GOLO CARALHO! Bem, aqui eu não sei bem, acho que mando um salto, desco uns sete ou oito pisos da bancada e atropelo tudo à minha frente, desde escoceses a portugueses, passando por garrafas de água e sei lá que mais. Estou fora de mim. Acho que nem grito "golo" porque a euforia me corta a capacidade de articular sílabas. Só berro qualquer coisa. Já estou como o outro: não há orgasmo que se compare a isto. intervalo. Tento acalmar-me. Vou buscar mais água. Não há fila. É estranho. Porquê? Que cena do caralho: acabaram as bebidas. Foda-se. Nos dois únicos bares de uma bancada cheia debaixo de 38 graus e não há agua, sumo ou a puta que os pariu? A espanhola giraça que está no bar depara-se com centenas de gajos desesperados e desidratados. Começa a distribuir cubos de gelo a toda a gente e a pedir calma. Num acto de desespero apanho umas garrafas vazias do chão e vou à casa de banho, torneira aberta, encho as garrafas e ainda molho o meu corpo todo. Começo a aperceber-me que a minha garganta está esquisita, isto é, a minha voz, caput, foi com o caralho. Segunda parte. Os gajos marcam o golo. Foda-se. Um barulho descomunal. Nunca (ou)vi nada assim. É impressionante. Chega a ser assustador. Fico na merda. Novo golo do Porto. Foda-se. Agora já nao atropelei ninguem, abracei-me ao puto, caralho, vamos lá ganhar esta merda. "Vamos ganhar 3-1, vocês vão ver", diz-me um tripeiro mais velho. E volta a dizer o mesmo. Outra vez. E mais uma vez. E pimba!, os gajos empatam novamente, eh pá, puta que pariu, como é que deixam aquele cabrão ali sózinho na area, caralho? Olho para o tripeiro profeta com aquela cara de quem diz "devias ter estado calado meu ganda boi de merda". Os escoceses fazem outra vez um barulho ensurdecedor. O estádio até parece tremer. Os que estão atrás de mim berram-me ao ouvido. Há um deles que chega a pôr a mão na minha cabeça e despenteia-me todo. Eu estou fodido, claro, mas tenho fair play, nem olho para trás, o gajo está na boa, desde que não me meta a mão no cu. E não só. Começo a ficar fodido. Fico calado minutos a fio. Já nao sei se sinto nervosismo, ansiedade ou depressão. Estou sentado, calado que nem um rato, as mãos na cabeça, o coração a 320 batidas por minuto. Estou a sentir-me mal. Vejo o Celtic a dominar o jogo. Os gajos sempre a cantar. É tudo deles, foda-se. É uma tortura: começo a pensar que não devia ter ido, que sofrimento já chegava, que aquilo é tudo uma merda, que o futebol não vale um caralho, que são só meia dúzia de gajos básicos atrás da bola, que o que eu gosto é de música e poesia e que caralho, eu juro, foda-se, juro mesmo que nunca mais vou ao futebol na puta da minha vida. O puto ao meu lado deve estar como eu. Não diz nada. Às tantas abre a boca e diz-me: "Eu já não sei". Foda-se. Começo a experimentar a amargura do sofrimento mais forte que alguma vez senti. Tenho a vida reduzida a merda. Às tantas visualizo na minha mente pessoas e alguns nicks do pessoal aqui do forum (O Flash, O Plasmatron, o Manel Poças e a Anfield Road, tudo gente que nunca vi) e tento imaginar onde estarão eles àquela hora, e a pensar que deviam era estar aqui, mas, caralho, como não estão, tento entrar numa espécie de comunicação telepática com eles, de forma a, sei lá, encontrarmos um ponto de convergência mental, juntar as forças, lança-las para dentro do relvado, como se a nossa vontade pudesse cair ali dentro como uma espécie de relâmpago e fazer com que o Porto não perca bola e faça passes certos, foda-se.... eu quero que a bola esteja no meio campo deles, não passem a bola ao Baía, caralho, é para a frente que se joga, e às tantas há alguém (não me lembro quem) que volta a passar a bola ao Baía e eu aí é que me passo mesmo dos cornos. Levanto-me. Grito: "Ó FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO É PARA A FRENTE CARALHO PARA A FRENTE CARALHO!!!!!!! (ou coisa do género, não me lembro bem). À minha volta, num raio de 20 metros está tudo sentado, o pessoal olha, quem é que aquele portuga lingrinhas e de tronco nu, cromo do caralho, a gritar qualquer coisa? Os escoceses atrás de mim comentam algo entre eles num calão indecifrável. E riem-se muito. Riem-se de mim. Estão-se a rir de mim, filhos da puta? O jogo acaba, há prolongamento e eu come> ço a ficar preocupado com a minha saúde. Tento respirar fundo durante alguns minutos e começo a sentir-me relativamente melhor. Até porque o Porto já parece saber jogar à bola. Vejo o tempo a passar e só desejo mais um golo, caralho, não peço mais, basta um, foda-se, onde está o Postiga quando preciso dele?, caralho, e entro outra vez no transe de sofrimento, estilo começar a pensar para mim "foda-se, eu até dou os meus discos todos e o meu ordenado só para ganharmos esta merda" e outras merdas do género completamente inconcebíveis num momento mais racional. Segunda parte do prolongamento. Sinto-me perto da morte. Tento acender um cigarro. A mão direita treme de tal forma que nem sequer consigo encostar a chama à ponta do tubo de nicotina.O telemóvel treme no bolso. É uma mensagem escrita do Junqueira a dizer "tem calma pá.... a gente já resolve isto" e, de repente, volto a pensar na história da telepatia, e pergunto-me "mas como é que o gajo sabe que eu estou assim?" e depois penso que s calhar até é natural ele imaginar mas não deixo de pensar na telepatia e sinto-me mais confortável com aquelas letras "tem calma pá" como se eu fosse um puto assustado com algo e tivesse chegado o pai para proteger. Há o 3º golo do Porto. Não sei o que escrever. É um momento muito prateado, uma espécie de luz branca à minha volta. Devo ter gritado e saltado, sei lá, eu já nem estava no lugar, fui para os degraus mais abaixo e estava a ver aquela merda em pé, pá, nem sei bem. Sim, era tudo branco, uma espécie de névoa, estava tudo meio desfocado, e convenci-me que era Deus que ali estava a ajudar-me e fiquei fodido por nunca ter ido á missa e essas merdas e o caralho, e por já ter tido a mania que era anti-cristo na minha adolescência, e que afinal, caralho, Deus existe, e estava ali ao meu lado e eu sem saber como agradecer-lhe e pedir-lhe desculpa por todos estes anos de falta de fé. O jogo acaba. Acho que abraço toda a gente e toda a gente me abraça e que tenho os braços no ar e que tento gritar qualquer coisa mas que não consigo porque já não tenho voz e então limito-me a saltar que nem um cavalo. Os escoceses atrás de mim dão-me os parabéns e apertam-me a mão e eu, pimba, toma lá um abraço também, e a puta da vida é isto e nada mais existe na vida para além disto e deste resultado.
quarta-feira, 7 de junho de 2006
Depois de umas pequenas férias...
Cá estou eu novamente de volta ao meu Dragão.
Pelo que tenho verificado nos pasquins, reina um silêncio sobre o Império do Dragão o que também não é mau.
Aparece um nome e outro, mas nada de concreto.
Será que estaremos à espera da venda de jogadores? Também não me admiraria nada, face ao que temos visto.
Enquanto isto não ata nem desata, cá vai uma parte da crónica do MST de ontem que acho interessante:
"(...) 2 - Aqui há umas semanas houve um debate, salvo erro na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, sobre o jornalismo desportivo. Li nos jornais queumdos participantes, jornalista, contou que no voo que levou recentemente a equipa do Benfica a Moçambique, Luís FilipeVieira terá passado um violento raspanete a toda a imprensa desportiva que acompanha normalmente a equipa, já não sei a propósito de que assunto. E que, estranhamente, tal episódio não foi relatado nem referido por nenhum dos destinatários que seguiam a bordo. Não sei se a história é verdadeira ou não; sei que veio publicada na imprensa não desportiva e que ninguém que eu tivesse visto, a desmentiu, assim confirmando implicitamente a sua veracidade e as lições que ela implica. Lembrei-me disso a propósito da conferência de imprensa em que o seleccionador nacional anunciou a sua escolha dos 23 para a Alemanha. Obviamente, o interesse principal era ouvir da boca dele uma explicação para a não convocação de Quaresma e outros. Mas bastou que Scolari tivesse anunciado previamente que não respondia a perguntas sobre os não convocados para que todos os jornalistas presentes acatassem obedientemente a sua ordem. Do mes- mo modo, só depois de alguns comentadores terem levantado a questão de saber se o calor de Évora era o melhor ambiente para preparar a Selecção e se os jogos contra Cabo Verde e o Luxemburgo seriam os testesmais adequados, é que alguns jornalistas ousaram aflorar o assunto para logo serem ameaçados pelo dr.Madail, que jura que vai voltar da Alemanha de dedo em riste para apontar os «antipatriotas » que ousam questionar a infalibilidade divina de quem decide estas coisas transcendentes.
Quero apenas recordar que o silêncio e a submissão da imprensa são maus conselheiros. Lembrem- se de Saltillo, onde o silêncio conivente perante a rebaldaria em que vivia a Selecção, no total desconhecimento de todo o país, foram contributo decisivo para um dosmais vergonhosos episódios do desporto português de todos os tempos. Quem lá está é que sabe com que linhas se deve coser. Mas seguramente não podem crer que andamos todos bem informados com a simples menção de maisumtreino ligeiro da Selecção ou aquelas conferências de imprensa onde, com algumas raras excepções como Costinha, os jogadores debitam as maiores banalidades possíveis como se dissessem coisas de uma imensa importância e profundidade.Não basta relatar que a Selecção foi recebida em Marienfeld por dez mil emigrantes portugueses,numaimpressionante demonstração de amor ao país distante e crença na equipa nacional que o representa e cuja simples presença tanto significa para esses portugueses longe de Portugal. É preciso contar também que a Selecção passou por eles como se não os visse, não perdendo sequer três minutos a lhes agradecer o esforço, o estímulo e o sacrifício.
3 - A seu tempo e se estiver para me chatear com o assunto, darei a devida resposta à parte que me tocou da entrevista do sr. Scolari à imprensa brasileira. Por ora, limito-me a dizer que ela apenas confirma o que já se sabia, mas que também é tabu: que o seleccionador nacional é um sujeito mal-educado, arrogante, ignorante e saudoso de regimes sem liberdade de imprensa nem regras de conduta democrática. Até pode, por absurdo dos deuses, voltar da Alemanha com o título mundial na bagagem: nem isso, a meu ver, o tornaria qualificado para representar e chefiar a Selecção do meu país. E pouco me importa se, como ele diz, houver 99,9 de portugueses que não pensam assim. Sorte a dele!"
Pelo que tenho verificado nos pasquins, reina um silêncio sobre o Império do Dragão o que também não é mau.
Aparece um nome e outro, mas nada de concreto.
Será que estaremos à espera da venda de jogadores? Também não me admiraria nada, face ao que temos visto.
Enquanto isto não ata nem desata, cá vai uma parte da crónica do MST de ontem que acho interessante:
"(...) 2 - Aqui há umas semanas houve um debate, salvo erro na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, sobre o jornalismo desportivo. Li nos jornais queumdos participantes, jornalista, contou que no voo que levou recentemente a equipa do Benfica a Moçambique, Luís FilipeVieira terá passado um violento raspanete a toda a imprensa desportiva que acompanha normalmente a equipa, já não sei a propósito de que assunto. E que, estranhamente, tal episódio não foi relatado nem referido por nenhum dos destinatários que seguiam a bordo. Não sei se a história é verdadeira ou não; sei que veio publicada na imprensa não desportiva e que ninguém que eu tivesse visto, a desmentiu, assim confirmando implicitamente a sua veracidade e as lições que ela implica. Lembrei-me disso a propósito da conferência de imprensa em que o seleccionador nacional anunciou a sua escolha dos 23 para a Alemanha. Obviamente, o interesse principal era ouvir da boca dele uma explicação para a não convocação de Quaresma e outros. Mas bastou que Scolari tivesse anunciado previamente que não respondia a perguntas sobre os não convocados para que todos os jornalistas presentes acatassem obedientemente a sua ordem. Do mes- mo modo, só depois de alguns comentadores terem levantado a questão de saber se o calor de Évora era o melhor ambiente para preparar a Selecção e se os jogos contra Cabo Verde e o Luxemburgo seriam os testesmais adequados, é que alguns jornalistas ousaram aflorar o assunto para logo serem ameaçados pelo dr.Madail, que jura que vai voltar da Alemanha de dedo em riste para apontar os «antipatriotas » que ousam questionar a infalibilidade divina de quem decide estas coisas transcendentes.
Quero apenas recordar que o silêncio e a submissão da imprensa são maus conselheiros. Lembrem- se de Saltillo, onde o silêncio conivente perante a rebaldaria em que vivia a Selecção, no total desconhecimento de todo o país, foram contributo decisivo para um dosmais vergonhosos episódios do desporto português de todos os tempos. Quem lá está é que sabe com que linhas se deve coser. Mas seguramente não podem crer que andamos todos bem informados com a simples menção de maisumtreino ligeiro da Selecção ou aquelas conferências de imprensa onde, com algumas raras excepções como Costinha, os jogadores debitam as maiores banalidades possíveis como se dissessem coisas de uma imensa importância e profundidade.Não basta relatar que a Selecção foi recebida em Marienfeld por dez mil emigrantes portugueses,numaimpressionante demonstração de amor ao país distante e crença na equipa nacional que o representa e cuja simples presença tanto significa para esses portugueses longe de Portugal. É preciso contar também que a Selecção passou por eles como se não os visse, não perdendo sequer três minutos a lhes agradecer o esforço, o estímulo e o sacrifício.
3 - A seu tempo e se estiver para me chatear com o assunto, darei a devida resposta à parte que me tocou da entrevista do sr. Scolari à imprensa brasileira. Por ora, limito-me a dizer que ela apenas confirma o que já se sabia, mas que também é tabu: que o seleccionador nacional é um sujeito mal-educado, arrogante, ignorante e saudoso de regimes sem liberdade de imprensa nem regras de conduta democrática. Até pode, por absurdo dos deuses, voltar da Alemanha com o título mundial na bagagem: nem isso, a meu ver, o tornaria qualificado para representar e chefiar a Selecção do meu país. E pouco me importa se, como ele diz, houver 99,9 de portugueses que não pensam assim. Sorte a dele!"
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Listagem de Contratações (VII)
Nova actualização, sem muitas novidades.
Mais volto a informar que esta listagem não é transmite as minhas (nossas, do blog) opções preferenciais para o FC Porto mas, de outra forma, resume aquilo que os jornais e rádios vão dando conta quanto a movimentações de mercado relacionadas com o nosso mágico clube, quer quanto a possiveis contratações para a próxima época quer quanto a vendas e empréstimos do plantel desta época, excluindo-se portanto joagdores com contrato com o clube mas emprestados a outros clubes na época passada.
Depois poderemos aferir da credibilidade e percentagem de noticias que os órgãos de comunicação social transmitem...
Possiveis entradas:
João Paulo (Leiria) -> CONFIRMADO
José Castro (Académica) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Rolando (Belenenses)
Ruben Amorim (Belenenses)
Luís Filipe (Braga)
Andrés Madrid (Braga)
Harrison (Leiria)
Diogo Valente (Boavista) -> CONFIRMADO
Saganowski (Vitória)
Duda (Málaga, Espanha)
Seitaridis (Dynamo de Moscovo, Rússia) - assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Max Tonetto (Sampdoria, Itália) -> assinou pela Udinese, Itália
Miguelito (Nacional)
Mourad Meghni (Sochaux, França)
Huntelaar (Ajax, Holanda)
Hesselink (PSV, Holanda)
Landzaat (AZ Alkmaar, Holanda)
Purovic (Estrela Vermelha, Sérvia)
Novidades:
Paíto (Maiorca, empréstimo)
Possiveis vendas:
McCarthy (Marselha, Portmouth e Everton)
Ricardo Costa (Marselha, PSG)
Diego (Werder Bremen) -> CONFIRMADO
Hugo Almeida (Roma, Hamburgo, Leverkusen e Hertha)
César Peixoto (Inglaterra)
Ivanildo (Leiria, empréstimo) -> CONFIRMADO
Bosingwa (Sevilha e Mónaco)
Quaresma (Chelsea)
Hélder Barbosa (Boavista, empréstimo)
Mais volto a informar que esta listagem não é transmite as minhas (nossas, do blog) opções preferenciais para o FC Porto mas, de outra forma, resume aquilo que os jornais e rádios vão dando conta quanto a movimentações de mercado relacionadas com o nosso mágico clube, quer quanto a possiveis contratações para a próxima época quer quanto a vendas e empréstimos do plantel desta época, excluindo-se portanto joagdores com contrato com o clube mas emprestados a outros clubes na época passada.
Depois poderemos aferir da credibilidade e percentagem de noticias que os órgãos de comunicação social transmitem...
Possiveis entradas:
João Paulo (Leiria) -> CONFIRMADO
José Castro (Académica) -> assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Rolando (Belenenses)
Ruben Amorim (Belenenses)
Luís Filipe (Braga)
Andrés Madrid (Braga)
Harrison (Leiria)
Diogo Valente (Boavista) -> CONFIRMADO
Saganowski (Vitória)
Duda (Málaga, Espanha)
Seitaridis (Dynamo de Moscovo, Rússia) - assinou pelo Atlético de Madrid, Espanha
Max Tonetto (Sampdoria, Itália) -> assinou pela Udinese, Itália
Miguelito (Nacional)
Mourad Meghni (Sochaux, França)
Huntelaar (Ajax, Holanda)
Hesselink (PSV, Holanda)
Landzaat (AZ Alkmaar, Holanda)
Purovic (Estrela Vermelha, Sérvia)
Novidades:
Paíto (Maiorca, empréstimo)
Possiveis vendas:
McCarthy (Marselha, Portmouth e Everton)
Ricardo Costa (Marselha, PSG)
Diego (Werder Bremen) -> CONFIRMADO
Hugo Almeida (Roma, Hamburgo, Leverkusen e Hertha)
César Peixoto (Inglaterra)
Ivanildo (Leiria, empréstimo) -> CONFIRMADO
Bosingwa (Sevilha e Mónaco)
Quaresma (Chelsea)
Hélder Barbosa (Boavista, empréstimo)
sexta-feira, 2 de junho de 2006
ENTREVISTA DE ESCARROLARI A UM PASQUIM GAÚCHO
Os comentários deixo-os para vocês, caros leitores... Pena que ele não venha à cidade do Porto para ver como o adoram e como seria abordado na rua...
"- Quê? O Edmílson foi cortado? Luiz Felipe Scolari não sabia. Informei-o do ocorrido com Edmílson às 22h30min da última quarta-feira, por telefone. No começo do dia, havia telefonado para ele e deixado recado na secretária eletrônica. Felipão ligou de volta. Estava em Lisboa, na última folga da seleção de Portugal antes da Copa do Mundo. Contou que naquele mesmo dia Edmílson havia ligado para ele e que falara com sua mulher, Olga.
- Parecia que estava tudo bem... - lamentou.
Depois de se recompor do choque, Felipão começou a raciocinar como o técnico vencedor que é. Perguntou quem tinha sido convocado para substituir o jogador cortado e, ao ouvir o nome de Mineiro, gritou:
- Bá! Mas o Parreira acertou em cheio! O Mineiro vai ajeitar o time do Brasil. Se ele botar o Mineiro junto com o Emerson, então... Os dois pegam, os dois marcam, os dois se movimentam. O Brasil dá sorte mesmo. Em 2002, quando o Emerson se lesionou, coloquei o Gilberto Silva no time, e acertou a defesa. Agora, o Mineiro é que vai arrumar o time, ele é muito bom jogador.
Felipão retornou uma ligação para Weggis e deu entrevista exclusiva
Quanto a seu próprio time, Portugal, Felipão disse que está bem, mas que poderia estar melhor, não fosse a lesão de Jorge Andrade, zagueiro que ele definiu como "espetacular".
- Se ele estivesse em condições, certamente seria um dos grandes destaques desta Copa do Mundo.
De resto, sua seleção está "ótima fisicamente, e tecnicamente razoável". No entanto, cauteloso como sempre, Felipão jamais subestima os adversários:
- Esse time do Irã, por exemplo. É um time chato, chato, chato... Tem uns jogadores altos, fortes. Um time muito chato. Não sei, essa nossa chave...
Mas Felipão tem motivos de sobra para ser otimista. A seleção portuguesa está invicta há 13 jogos, um recorde do time, e, em 42 partidas, conquistou 26 vitórias. Os portugueses o adoram.
- Quando saio na rua é uma loucura, eles vêm falar comigo, eles aplaudem. Está quase como no Brasil - relatou.
Claro, há quem o critique.
- Uns quatro ou cinco intelectuais - rosnou. - Aqui, quando eu falo em bandeira, em pátria, em nacionalismo, é porque sou pregador. Na verdade, é preconceito contra brasileiro mesmo. Eles têm bronca, raiva e inveja dos brasileiros.
Felipão tem de cabeça a curta lista de desafetos:
- Um diz que é cineasta. O outro, o pai dele foi um grande escritor. O pai, né, porque ele é uma bosta. Um terceiro ganhou uma herança do tio e ficou rico. E tem uma mulher famosa aqui que diz que é a Marília Gabriela de Portugal. Só. Não entendem nada. Me criticaram porque coloquei a seleção a treinar num clima de 27ºC. Nós treinamos às cinco e meia da tarde, aí está uns 23. Quando formos jogar na Alemanha, com 15 graus, os jogadores vão estar voando.
Felipão sabe que o que importa é o torcedor.
- E o torcedor, sim, esse gosta de mim. Noventa e nove vírgula nove por cento me aprovam, aqui em Portugal.
Pensei que Felipão ia reclamar da duração da ligação, ele que é um notório pão-duro. Nada disso. Estava de espírito leve. Até comentou a vitória do Grêmio sobre o Palmeiras.
- Meu time está bem - comemorou. - O Mano é gente boa, está fazendo um bom trabalho.
Está tudo certo na vida do multicampeão."
"- Quê? O Edmílson foi cortado? Luiz Felipe Scolari não sabia. Informei-o do ocorrido com Edmílson às 22h30min da última quarta-feira, por telefone. No começo do dia, havia telefonado para ele e deixado recado na secretária eletrônica. Felipão ligou de volta. Estava em Lisboa, na última folga da seleção de Portugal antes da Copa do Mundo. Contou que naquele mesmo dia Edmílson havia ligado para ele e que falara com sua mulher, Olga.
- Parecia que estava tudo bem... - lamentou.
Depois de se recompor do choque, Felipão começou a raciocinar como o técnico vencedor que é. Perguntou quem tinha sido convocado para substituir o jogador cortado e, ao ouvir o nome de Mineiro, gritou:
- Bá! Mas o Parreira acertou em cheio! O Mineiro vai ajeitar o time do Brasil. Se ele botar o Mineiro junto com o Emerson, então... Os dois pegam, os dois marcam, os dois se movimentam. O Brasil dá sorte mesmo. Em 2002, quando o Emerson se lesionou, coloquei o Gilberto Silva no time, e acertou a defesa. Agora, o Mineiro é que vai arrumar o time, ele é muito bom jogador.
Felipão retornou uma ligação para Weggis e deu entrevista exclusiva
Quanto a seu próprio time, Portugal, Felipão disse que está bem, mas que poderia estar melhor, não fosse a lesão de Jorge Andrade, zagueiro que ele definiu como "espetacular".
- Se ele estivesse em condições, certamente seria um dos grandes destaques desta Copa do Mundo.
De resto, sua seleção está "ótima fisicamente, e tecnicamente razoável". No entanto, cauteloso como sempre, Felipão jamais subestima os adversários:
- Esse time do Irã, por exemplo. É um time chato, chato, chato... Tem uns jogadores altos, fortes. Um time muito chato. Não sei, essa nossa chave...
Mas Felipão tem motivos de sobra para ser otimista. A seleção portuguesa está invicta há 13 jogos, um recorde do time, e, em 42 partidas, conquistou 26 vitórias. Os portugueses o adoram.
- Quando saio na rua é uma loucura, eles vêm falar comigo, eles aplaudem. Está quase como no Brasil - relatou.
Claro, há quem o critique.
- Uns quatro ou cinco intelectuais - rosnou. - Aqui, quando eu falo em bandeira, em pátria, em nacionalismo, é porque sou pregador. Na verdade, é preconceito contra brasileiro mesmo. Eles têm bronca, raiva e inveja dos brasileiros.
Felipão tem de cabeça a curta lista de desafetos:
- Um diz que é cineasta. O outro, o pai dele foi um grande escritor. O pai, né, porque ele é uma bosta. Um terceiro ganhou uma herança do tio e ficou rico. E tem uma mulher famosa aqui que diz que é a Marília Gabriela de Portugal. Só. Não entendem nada. Me criticaram porque coloquei a seleção a treinar num clima de 27ºC. Nós treinamos às cinco e meia da tarde, aí está uns 23. Quando formos jogar na Alemanha, com 15 graus, os jogadores vão estar voando.
Felipão sabe que o que importa é o torcedor.
- E o torcedor, sim, esse gosta de mim. Noventa e nove vírgula nove por cento me aprovam, aqui em Portugal.
Pensei que Felipão ia reclamar da duração da ligação, ele que é um notório pão-duro. Nada disso. Estava de espírito leve. Até comentou a vitória do Grêmio sobre o Palmeiras.
- Meu time está bem - comemorou. - O Mano é gente boa, está fazendo um bom trabalho.
Está tudo certo na vida do multicampeão."
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