JOSÉ MANUEL RIBEIRO no jornal O JOGO
"O ranking
Perguntam-me alguns leitores por que raio está o FC Porto apenas no sétimo lugar entre os melhores clube do Mundo no ranking da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. Eu respondo: basicamente, por jogar na liga portuguesa, que alinha na segunda divisão mundial. Não há nada de estranho, nem de pérfido, nem de absurdo neste escalonamento. O ranking leva em conta o campeonato, a taça - desde que organizada pela federação - e os resultados internacionais. Os primeiros são valorizados consoante o país a que se pertence. As melhores ligas pontuam quatro pontos por vitória e dois por empate; as segundas melhores, grupo do qual faz parte a portuguesa, valem três por vitória, um e meio por empate (as competições da UEFA também pontuam acima de quaisquer outras provas continentais: catorze pontos por vitória, sete por empate). Ou seja, somando um ponto extra por cada uma das trinta vitórias internas do FC Porto, o campeão europeu seria, de facto, o primeiro classificado do ranking, mas só se o campeonato escocês permanecesse no segundo escalão. Caso contrário, seria o Celtic de Glasgow a melhor equipa do Mundo, por, no conjunto, ter ganho mais vezes. Pergunta natural: mas quem disse que o campeonato português não é superior ao escocês? Os pontos somados, em todas as competições, pelos cinco melhores clubes de cada país. Holanda, Portugal, Escócia e Grécia, por exemplo, fazem parte do mesmo pacote. Nestas circunstâncias, o sétimo lugar do FC Porto é excelente, como se perceberá por este dado adicional: só há duas equipas da "segunda divisão" entre os primeiros dezoito do ranking. Concluindo: não é verdade que a lista seja elaborada arbitrariamente. Obedece a critérios muito claros. Se são discutíveis ou não é outra história, bastante mais complicada do que parece à primeira vista. "
segunda-feira, 7 de junho de 2004
quinta-feira, 3 de junho de 2004
O SERVENTE DO CAPATAZ MOÇAMBICANO
Os lagartos apresentaram ou apresentarão como treinador para a próxima época José Peseiro. Logo foi apelidado de novo José Mourinho, desde a TSF aos vários lampiões. Assim, desde logo eu concluo, utilizando todos os adjectivos usados para definir (até se ir embora) o genial Mourinho, que Peseiro é arrogante, não sabe perder, não sabe ganhar, desrespeita os adversários e rasga camisolas... Ah, e é tradutor! Ou, adaptado à sua realidade e uma vez que o Moçambicano é novamente o capataz do cheché, Peseiro era o Servente do Capataz Moçambicano. Confuso? Talvez não...
Na óptica de portista, já me conformei quanto aos dois anos que aí vêm. Pois Peseiro, clone de Mourinho, vai certamente vencer em dois anos uma Liga dos Campeões, uma Taça Uefa (se não apanhar o Gençlebriligui), dois campeonatos, uma taça e uma supertaça. Nós ficaremos com as sobras.
Apesar disso, em relação ao Servente do Capataz Moçambicano, fico muito contente que para lá tenha ido. Assim, mais uma razão para destilar tudo o que tenho contra ele. E o que é que eu tenho contra ele? Pois bem, quando os peseteiros vieram jogar às Antas, entrevistaram os queridos paizinhos do Servente. Que disseram que queriam que os peseteiros ganhassem porque o filho fazia parte da equipa técnica. Até aqui, tudo bem, nada a dizer. Mas, orgulhosamente, a seguir acrescentaram que, para além do mais, detestam o Porto e portanto torceriam sempre pelos peseteiros. Pois bem, Srs. Peseiro, preparem-se que durante dois anos os senhores, mais o vosso querido filhinho, vão ter muitas mais razões para nos detestarem...
E para não dizerem que não sou vosso amigo, dou-vos um conselho de graça - o mesmo que Rainieri deu ao nosso José. É bom que o vosso menino tenha um bom advogado. É que parece que para as bandas de Alcochete paira um qualquer sistema que faz com que se despeça litigiosamente todos os treinadores que por lá passam. Ao ritmo de um por ano.
Na óptica de portista, já me conformei quanto aos dois anos que aí vêm. Pois Peseiro, clone de Mourinho, vai certamente vencer em dois anos uma Liga dos Campeões, uma Taça Uefa (se não apanhar o Gençlebriligui), dois campeonatos, uma taça e uma supertaça. Nós ficaremos com as sobras.
Apesar disso, em relação ao Servente do Capataz Moçambicano, fico muito contente que para lá tenha ido. Assim, mais uma razão para destilar tudo o que tenho contra ele. E o que é que eu tenho contra ele? Pois bem, quando os peseteiros vieram jogar às Antas, entrevistaram os queridos paizinhos do Servente. Que disseram que queriam que os peseteiros ganhassem porque o filho fazia parte da equipa técnica. Até aqui, tudo bem, nada a dizer. Mas, orgulhosamente, a seguir acrescentaram que, para além do mais, detestam o Porto e portanto torceriam sempre pelos peseteiros. Pois bem, Srs. Peseiro, preparem-se que durante dois anos os senhores, mais o vosso querido filhinho, vão ter muitas mais razões para nos detestarem...
E para não dizerem que não sou vosso amigo, dou-vos um conselho de graça - o mesmo que Rainieri deu ao nosso José. É bom que o vosso menino tenha um bom advogado. É que parece que para as bandas de Alcochete paira um qualquer sistema que faz com que se despeça litigiosamente todos os treinadores que por lá passam. Ao ritmo de um por ano.
A VITÓRIA EM GENSELKIRSHEN TEVE EFEITOS SECUNDÁRIOS FANTÁSTICOS!!!
A vitória do Mágico Porto na Liga dos Campeões foi uma grande alegria para todos os Dragões e um marco no futebol Nacional.
Acontece que, para além disso, contribuiu de forma decisiva para o avolumar de complicações para os Lampiões.
É que, com a vitória dos Dragões, os Lampiões não serão cabeças-de-série na 3ª pré-eliminatória da próxima edição da prova.
Desta forma, na tentativa de acesso à fase final da liga Milionária, a associação da Lampiolândia poderá enfrentar adversários como Real Madrid, Manchester United, Depor, Liverpool, Juventus, Inter, PSV Eindhoven, Bayer Leverkusen, Anderlecht, Mónaco, PAOK, Glasgow Rangers, Brugge, Sparta Praga e Dinamo Kiev.
Até que enfim que uma vitória internacional do Mágico Porto não benefecia os infieis.
Como os lampiões se devem lembrar daquela célebre máxima: "UM MAL NUNCA VEM SÓ"...
Acontece que, para além disso, contribuiu de forma decisiva para o avolumar de complicações para os Lampiões.
É que, com a vitória dos Dragões, os Lampiões não serão cabeças-de-série na 3ª pré-eliminatória da próxima edição da prova.
Desta forma, na tentativa de acesso à fase final da liga Milionária, a associação da Lampiolândia poderá enfrentar adversários como Real Madrid, Manchester United, Depor, Liverpool, Juventus, Inter, PSV Eindhoven, Bayer Leverkusen, Anderlecht, Mónaco, PAOK, Glasgow Rangers, Brugge, Sparta Praga e Dinamo Kiev.
Até que enfim que uma vitória internacional do Mágico Porto não benefecia os infieis.
Como os lampiões se devem lembrar daquela célebre máxima: "UM MAL NUNCA VEM SÓ"...
quarta-feira, 2 de junho de 2004
O DRAGÃO ESQUECEU-SE...
... mas eu não. Impunha-se, mais do que nunca, a crónica do MST no Avante Lampião. A melhor de sempre. Para guardar. Obrigado, Miguel Sousa Tavares.
"Campeões da Europa
Que mais querem do FC Porto? Se alguém tem alguma dívida para com outrem, é Portugal para com o FC Porto e não o inverso.
1. Está feito: o FCPorto é o clube português com maior dimensão internacional de sempre. Já o era antes de Gelsenkirchen mas há sempre uns teimosos que não se querem deixar convencer e, neste caso, insistiam que o título de campeão europeu que o Benfica tinha a mais que oFCPorto era mais importante que uma Taça Intercontinental, uma TaçaUEFA euma Supertaça Europeia — títulos que o FCPorto tem a mais queoBenfica. Agora já não há lugar para qualquer contestação: o FC Porto tem cinco títulos internacionais, o Benfica tem dois, e,mesmo s eambos foram duas vezes campeões europeus, não há comparação entre o valor de um título de campeão europeu obtido na Champions League, ao fim de 13 jogos, e um obtido na extinta Taça dos Campeões dos anos 60, ao fim de sete ou nove jogos.Mas faça-se justiça à história: tanto quanto me lembro ainda, acho que aquela equipa do Benfica de 1963 teria ganho a Champions League, se ela já existisse. Mas também acho que a equipa do FC Porto do ano passado — que, em minha opinião, era ainda melhor e jogava melhor futebol que a deste ano—teria se calhar ganho também a Champions League, se o destino não lhe tem reservado apenas a Taça UEFA. E se começo por este ajustar de contas histórico o rescaldo de uma semana que ainda vive, intensa e emocionante, no olhar, no coração e na cabeça de cada portista, é porque constatei, estupefacto, que só mesmo no dia seguinte à memorável jornada de Gelsenkirchen é que o País se deu verdadeiramente conta do extraordinário feito que o FC Porto tinha levado a cabo.Até aí senti (e disse-o) que o país desportivo não merecia esta equipa do FCPorto e tudo o que ela já havia feito pelo prestígio do futebol português. Mal o FC Porto desembarcou na Alemanha,segunda-feira passada, a comitiva foi recebida com as notícias que chegavam de Lisboa e que davam conta do caso desportivo que ocupava o País: a inscrição irregular de Ricardo Rocha e a possibilidade de o Benfica vir a ser penalizado por isso com a perda do segundo lugar no campeonato e da Taça de Portugal. Embora a todos nós, que ali estávamos, se tivesse tornado desde logo evidente que o assunto estava fadado para morrer de morte natural, não conseguimos evitar o espanto de realizar que ele tinha afastado todo o noticiário relativo ao FCPorto da primeira página do noticiário desportivo, em jornais, rádios e televisões, e que a histeria lisboeta com o palpitante assunto prosseguiu até à noite do dia seguinte—terça-feira, véspera da final de Gelsenkirchen. De repente o verdadeiro assunto que interessava ao país desportivo não era o de saber se, no dia seguinte, uma equipa portuguesa conseguiria vencer a mais difícil e a mais prestigiada competição de clubes do mundo inteiro, perante o olhar de centenas de milhões de espectadores no mundo inteiro, mas sim o de saber se era o Benfica ou o Sporting quem, na próxima época, teria acesso à terceira pré-eliminatória dessa mesma competição! E quando, ao telefone com um amigo benfiquista em Lisboa, lhe perguntei que absurdo era aquele, ele explicou-me que se tratava de «mais uma cabala montada pelo teu clube contra o Benfica». O meuclube? Omeuclube estava concentrado no seu hotel a pensar na hora que o destino apenas reserva aos grandes e se algum pensamento unânime se escutava entre a comitiva portista, presidente incluído, sobre o melodrama lisboeta era o de que jamais o FC Porto aceitaria na sua sala de troféus uma Taça de Portugal perdida em campo e ganha na secretaria— por mais que entendessem que fora muito injustamente perdida. Para que quereria umataça dessas um clube que estava na véspera de poder ganhar a Champions League, depois de ter ganho a Taça UEFA na época anterior, os dois últimos campeonatos ou sete dos últimos dez? Acaso alguém poderia imaginar que isso nos traria um grama que fosse de satisfação ou prestígio acrescentado?Percebi então o quanto a falta de hábito de vencer pode criar vícios de pensamento doentios e incuráveis. Só quem se habituou a sonhar baixinho pode imaginar que lá, nas alturas onde se sonha grande, se pode perder tempo e concentração para a tarefa de ganhar perante o mundo inteiro uma Champions League para se tentar ganhar na secretaria uma Taça de Portugal! O cuco-milharuco não imagina o que se passa nas alturas onde voa a águia-real! Enfim, quarta-feira, e com o assunto já a caminho da sua morte natural, a imprensa lá cumpriu a sua inevitável obrigação de trazer de volta o FCPorto à primeira página dos noticiários.E quinta-feira, claro, era Portugal quem tinha acabado de ganhar a Liga dos Campeões. Muito embora, regressado já com a manhã nascida a Pedras Rubras, onde três mil pessoas esperavam há 10 horas para ver a taça e os funcionários do aeroporto faziam alas para saudar os campeões à saída do avião, eu tenha encontrado na imprensa desportiva dessa mesma manhã um artigo garantindo que o feito desportivo da semana não acontecera na véspera, em Gelsenkirchen, mas sim na segunda-feira anterior, num estúdio da SIC, invadido em directo pelo presidente do Benfica, para discutir a questão Ricardo Rocha e inaugurar um novo estilo televisivo que, se tivesse sido protagonizado pelo presidente do FC Porto, estaria ainda hoje a ser objecto de comentários relativos à sua grosseria e falta de maneiras. Mas compreende- se: é que mesmo assim o câmara da SIC de serviço na inauguração da casa do Benfica em Vila Real de Santo António ia deixando a pele na missão assim que o presidente do Benfica assolou as massas contra a SIC, culpada de ter divulgado uma notícia... verdadeira. E nem foi preciso o seu aviso de que em breve vai divulgar o índex dos jornaisque «tratam mal o Benfica» (?!), a fim de que sejam boicotados pelos benfiquistas, para que logo na sexta- feira o FC Porto tenha regressado ao seu habitual lugar de rodapé de primeira página e para que no sábado eu tivesse de folhear até quase ao fim os jornais desportivos para finalmente encontrar a notícia de que o FC Porto ganhara também o título de campeão nacional de básquete, a juntar ao futebol, ao andebol e, espero, ao hóquei em patins. Felizmente que doravante vai ser mais fácil remeter o FC Porto para os pés de página: temos aí, durante um mês, as notícias sobre a empolgante Selecção Nacional para nos ocupar.
2. Mas não quero ser injusto: de Lisboa chegaram-nos também notícias —ainda nós vivíamos atordoados aquele momento deuma vida, à saída doArenaAufShalke— da festa que saíra às ruas em Lisboa, onde até a câmara municipal manteve acesas as luzes do edifício, em homenagem aos campeões europeus. Chegaram-nos notícias dessas também dos Champs- Élysées, em Paris, da costa Leste americana, de África e do Brasil, de todo esse vasto mundo onde se fala português, de emigração ou de assimilação, e onde,nos últimos anos, o FCPorto tem sido o bálsamo contra as saudades, as humilhações, as privações, tem sido o mensageiro da alegria e do orgulho de ser português contra todas as tristezas e frustrações em que a pátria ou a ausência dela é fértil. Mas as notícias da festa em Lisboa caíram bem entre os portistas e deitaram já para o plano psicanalítico os que nem assim, nem agora, se renderam à justiça dos factos. Os que escreveram que o FC Porto só foi campeão europeu graças a Mourinho, o que faz com que, a esta hora, pudesse ser o Sporting o campeão europeu, se os sócios não têm impedido a sua contratação, três anos atrás (ou o Benfica, se o tem mantido...). Ou ainda quem descobriu que o FC Porto só foi campeão europeu porque a Liga de clubes acedeu a adiar o jogo com o Nacional da Madeira, dias antes da eliminatória com o Corunha.Ou que só foi campeão europeu porque Scolari acedeu a prescindir da convocatória dos jogadores portistas para o jogo particular com a Suécia, três dias antes do jogo da Corunha—decisão criticada, entre outros,porLuís Figo. Eu sei o que lhes vai na alma, o que verdadeiramente gostariam de ter dito e só por pudor o não disseram: «Podíamos ter evitado isto,podíamos ter evitado que o FCPorto fosse campeão europeu...» Não, coitados, nem sequer percebem que não podiam.Porque não sabem de que matéria são feitas as vitórias como esta. Não fazem ideia do que trabalharam os jogadores e a equipa técnica durante estes dois anos. Do que prescindiram, do que sofreram, do que lutaram para deixar os seus nomes na história do futebol português e mundial e dar esta alegria sem fim a todos os portistas —e cada vez são mais!—espalhados por esse mundo todo. Não ouviram o Derlei gritar de dores, forçando uma recuperação clínica dita «impossível » a tempo de ajudar a equipa neste decisivo mês de Maio. Não viram a determinação serena dos jogadores antes da final, a sua alegria depois da vitória, que não era a euforia desmedida de quem tinha acabado de conseguir um milagre mas sim a satisfação imensa de terem visto recompensado o esforço de um trabalho feito com profissionalismo,brio e vontade. Nestas horas lembro-me sempre de uma coisa que o meu pai me disse, era eu pequeno: «Filho, se algum dia quiser conhecer a verdadeira natureza dos portugueses, leia a história da batalha de Alfarrobeira,onde oinfante D. Pedro das Sete Partidas do Mundo foi morto às mãos do sobrinho, o rei D. Afonso V, envenenado contra o tio pelas intrigas da corte de Lisboa, que não conseguia suportar que um homem da província fosse maior que todos eles. É a história da inveja, essa marca fatal dos portugueses.» Não me esqueci da lição de Alfarrobeira. Revejo-a todos os dias,na história contemporânea de Portugal. Lembrei-me dela em Gelsenkirchen, lembrei-me dela ao regressar a casa. E, por isso,quando outro homem de Coimbra, e de que eu tanto gosto e tanto admiro, que é o Manuel Alegre, declarou, sobre a vitória de Gelsenkirchen, «hoje, Portugal esteve com o FCPorto; espero que o FCPorto esteja com Portugal no Europeu», eu percebi a sua mensagem. O que ele quis dizer foi que a festa de Lisboa tem um preço a pagar pelos portistas: estar com Scolari,noDragão, no próximo dia 12, e esquecer, entre outras coisas, que Vítor Baía estará na bancada e Ricardo Carvalho no banco de suplentes. É o preço a pagar por, finalmente (finalmente, foi preciso aqui chegar!),nos ter sido feita alguma justiça e reconhecido algum mérito. A isso, com todo o respeito, respondo simplesmente: o FC Porto foi campeão europeu em nome de Portugal. Que mais querem do FC Porto? Se alguém tem alguma dívida para com outrem, é Portugal para com o FC Porto e não o inverso."
"Campeões da Europa
Que mais querem do FC Porto? Se alguém tem alguma dívida para com outrem, é Portugal para com o FC Porto e não o inverso.
1. Está feito: o FCPorto é o clube português com maior dimensão internacional de sempre. Já o era antes de Gelsenkirchen mas há sempre uns teimosos que não se querem deixar convencer e, neste caso, insistiam que o título de campeão europeu que o Benfica tinha a mais que oFCPorto era mais importante que uma Taça Intercontinental, uma TaçaUEFA euma Supertaça Europeia — títulos que o FCPorto tem a mais queoBenfica. Agora já não há lugar para qualquer contestação: o FC Porto tem cinco títulos internacionais, o Benfica tem dois, e,mesmo s eambos foram duas vezes campeões europeus, não há comparação entre o valor de um título de campeão europeu obtido na Champions League, ao fim de 13 jogos, e um obtido na extinta Taça dos Campeões dos anos 60, ao fim de sete ou nove jogos.Mas faça-se justiça à história: tanto quanto me lembro ainda, acho que aquela equipa do Benfica de 1963 teria ganho a Champions League, se ela já existisse. Mas também acho que a equipa do FC Porto do ano passado — que, em minha opinião, era ainda melhor e jogava melhor futebol que a deste ano—teria se calhar ganho também a Champions League, se o destino não lhe tem reservado apenas a Taça UEFA. E se começo por este ajustar de contas histórico o rescaldo de uma semana que ainda vive, intensa e emocionante, no olhar, no coração e na cabeça de cada portista, é porque constatei, estupefacto, que só mesmo no dia seguinte à memorável jornada de Gelsenkirchen é que o País se deu verdadeiramente conta do extraordinário feito que o FC Porto tinha levado a cabo.Até aí senti (e disse-o) que o país desportivo não merecia esta equipa do FCPorto e tudo o que ela já havia feito pelo prestígio do futebol português. Mal o FC Porto desembarcou na Alemanha,segunda-feira passada, a comitiva foi recebida com as notícias que chegavam de Lisboa e que davam conta do caso desportivo que ocupava o País: a inscrição irregular de Ricardo Rocha e a possibilidade de o Benfica vir a ser penalizado por isso com a perda do segundo lugar no campeonato e da Taça de Portugal. Embora a todos nós, que ali estávamos, se tivesse tornado desde logo evidente que o assunto estava fadado para morrer de morte natural, não conseguimos evitar o espanto de realizar que ele tinha afastado todo o noticiário relativo ao FCPorto da primeira página do noticiário desportivo, em jornais, rádios e televisões, e que a histeria lisboeta com o palpitante assunto prosseguiu até à noite do dia seguinte—terça-feira, véspera da final de Gelsenkirchen. De repente o verdadeiro assunto que interessava ao país desportivo não era o de saber se, no dia seguinte, uma equipa portuguesa conseguiria vencer a mais difícil e a mais prestigiada competição de clubes do mundo inteiro, perante o olhar de centenas de milhões de espectadores no mundo inteiro, mas sim o de saber se era o Benfica ou o Sporting quem, na próxima época, teria acesso à terceira pré-eliminatória dessa mesma competição! E quando, ao telefone com um amigo benfiquista em Lisboa, lhe perguntei que absurdo era aquele, ele explicou-me que se tratava de «mais uma cabala montada pelo teu clube contra o Benfica». O meuclube? Omeuclube estava concentrado no seu hotel a pensar na hora que o destino apenas reserva aos grandes e se algum pensamento unânime se escutava entre a comitiva portista, presidente incluído, sobre o melodrama lisboeta era o de que jamais o FC Porto aceitaria na sua sala de troféus uma Taça de Portugal perdida em campo e ganha na secretaria— por mais que entendessem que fora muito injustamente perdida. Para que quereria umataça dessas um clube que estava na véspera de poder ganhar a Champions League, depois de ter ganho a Taça UEFA na época anterior, os dois últimos campeonatos ou sete dos últimos dez? Acaso alguém poderia imaginar que isso nos traria um grama que fosse de satisfação ou prestígio acrescentado?Percebi então o quanto a falta de hábito de vencer pode criar vícios de pensamento doentios e incuráveis. Só quem se habituou a sonhar baixinho pode imaginar que lá, nas alturas onde se sonha grande, se pode perder tempo e concentração para a tarefa de ganhar perante o mundo inteiro uma Champions League para se tentar ganhar na secretaria uma Taça de Portugal! O cuco-milharuco não imagina o que se passa nas alturas onde voa a águia-real! Enfim, quarta-feira, e com o assunto já a caminho da sua morte natural, a imprensa lá cumpriu a sua inevitável obrigação de trazer de volta o FCPorto à primeira página dos noticiários.E quinta-feira, claro, era Portugal quem tinha acabado de ganhar a Liga dos Campeões. Muito embora, regressado já com a manhã nascida a Pedras Rubras, onde três mil pessoas esperavam há 10 horas para ver a taça e os funcionários do aeroporto faziam alas para saudar os campeões à saída do avião, eu tenha encontrado na imprensa desportiva dessa mesma manhã um artigo garantindo que o feito desportivo da semana não acontecera na véspera, em Gelsenkirchen, mas sim na segunda-feira anterior, num estúdio da SIC, invadido em directo pelo presidente do Benfica, para discutir a questão Ricardo Rocha e inaugurar um novo estilo televisivo que, se tivesse sido protagonizado pelo presidente do FC Porto, estaria ainda hoje a ser objecto de comentários relativos à sua grosseria e falta de maneiras. Mas compreende- se: é que mesmo assim o câmara da SIC de serviço na inauguração da casa do Benfica em Vila Real de Santo António ia deixando a pele na missão assim que o presidente do Benfica assolou as massas contra a SIC, culpada de ter divulgado uma notícia... verdadeira. E nem foi preciso o seu aviso de que em breve vai divulgar o índex dos jornaisque «tratam mal o Benfica» (?!), a fim de que sejam boicotados pelos benfiquistas, para que logo na sexta- feira o FC Porto tenha regressado ao seu habitual lugar de rodapé de primeira página e para que no sábado eu tivesse de folhear até quase ao fim os jornais desportivos para finalmente encontrar a notícia de que o FC Porto ganhara também o título de campeão nacional de básquete, a juntar ao futebol, ao andebol e, espero, ao hóquei em patins. Felizmente que doravante vai ser mais fácil remeter o FC Porto para os pés de página: temos aí, durante um mês, as notícias sobre a empolgante Selecção Nacional para nos ocupar.
2. Mas não quero ser injusto: de Lisboa chegaram-nos também notícias —ainda nós vivíamos atordoados aquele momento deuma vida, à saída doArenaAufShalke— da festa que saíra às ruas em Lisboa, onde até a câmara municipal manteve acesas as luzes do edifício, em homenagem aos campeões europeus. Chegaram-nos notícias dessas também dos Champs- Élysées, em Paris, da costa Leste americana, de África e do Brasil, de todo esse vasto mundo onde se fala português, de emigração ou de assimilação, e onde,nos últimos anos, o FCPorto tem sido o bálsamo contra as saudades, as humilhações, as privações, tem sido o mensageiro da alegria e do orgulho de ser português contra todas as tristezas e frustrações em que a pátria ou a ausência dela é fértil. Mas as notícias da festa em Lisboa caíram bem entre os portistas e deitaram já para o plano psicanalítico os que nem assim, nem agora, se renderam à justiça dos factos. Os que escreveram que o FC Porto só foi campeão europeu graças a Mourinho, o que faz com que, a esta hora, pudesse ser o Sporting o campeão europeu, se os sócios não têm impedido a sua contratação, três anos atrás (ou o Benfica, se o tem mantido...). Ou ainda quem descobriu que o FC Porto só foi campeão europeu porque a Liga de clubes acedeu a adiar o jogo com o Nacional da Madeira, dias antes da eliminatória com o Corunha.Ou que só foi campeão europeu porque Scolari acedeu a prescindir da convocatória dos jogadores portistas para o jogo particular com a Suécia, três dias antes do jogo da Corunha—decisão criticada, entre outros,porLuís Figo. Eu sei o que lhes vai na alma, o que verdadeiramente gostariam de ter dito e só por pudor o não disseram: «Podíamos ter evitado isto,podíamos ter evitado que o FCPorto fosse campeão europeu...» Não, coitados, nem sequer percebem que não podiam.Porque não sabem de que matéria são feitas as vitórias como esta. Não fazem ideia do que trabalharam os jogadores e a equipa técnica durante estes dois anos. Do que prescindiram, do que sofreram, do que lutaram para deixar os seus nomes na história do futebol português e mundial e dar esta alegria sem fim a todos os portistas —e cada vez são mais!—espalhados por esse mundo todo. Não ouviram o Derlei gritar de dores, forçando uma recuperação clínica dita «impossível » a tempo de ajudar a equipa neste decisivo mês de Maio. Não viram a determinação serena dos jogadores antes da final, a sua alegria depois da vitória, que não era a euforia desmedida de quem tinha acabado de conseguir um milagre mas sim a satisfação imensa de terem visto recompensado o esforço de um trabalho feito com profissionalismo,brio e vontade. Nestas horas lembro-me sempre de uma coisa que o meu pai me disse, era eu pequeno: «Filho, se algum dia quiser conhecer a verdadeira natureza dos portugueses, leia a história da batalha de Alfarrobeira,onde oinfante D. Pedro das Sete Partidas do Mundo foi morto às mãos do sobrinho, o rei D. Afonso V, envenenado contra o tio pelas intrigas da corte de Lisboa, que não conseguia suportar que um homem da província fosse maior que todos eles. É a história da inveja, essa marca fatal dos portugueses.» Não me esqueci da lição de Alfarrobeira. Revejo-a todos os dias,na história contemporânea de Portugal. Lembrei-me dela em Gelsenkirchen, lembrei-me dela ao regressar a casa. E, por isso,quando outro homem de Coimbra, e de que eu tanto gosto e tanto admiro, que é o Manuel Alegre, declarou, sobre a vitória de Gelsenkirchen, «hoje, Portugal esteve com o FCPorto; espero que o FCPorto esteja com Portugal no Europeu», eu percebi a sua mensagem. O que ele quis dizer foi que a festa de Lisboa tem um preço a pagar pelos portistas: estar com Scolari,noDragão, no próximo dia 12, e esquecer, entre outras coisas, que Vítor Baía estará na bancada e Ricardo Carvalho no banco de suplentes. É o preço a pagar por, finalmente (finalmente, foi preciso aqui chegar!),nos ter sido feita alguma justiça e reconhecido algum mérito. A isso, com todo o respeito, respondo simplesmente: o FC Porto foi campeão europeu em nome de Portugal. Que mais querem do FC Porto? Se alguém tem alguma dívida para com outrem, é Portugal para com o FC Porto e não o inverso."
Está explicado!!!
O nosso mister afinal não quis festejar a vitória da forma que o fez!!! Afinal foi obrigado.
A agência lusa divulgou a notícia:
"José Mourinho recebeu ameaça "não anónima" em Gelsenkirchen
José Mourinho revelou ter recebido "ameaças sérias", "corajosamente não anónimas", na madrugada do jogo em que conquistou a Liga dos Campeões de futebol ao serviço do FC Porto.
Mourinho precisou que o alegado telefonema foi recebido pela 01:00 da manhã do dia do jogo, quando estava em estágio com o restante plantel do FC Porto, em Gelsenkirchen.
Esta ameaça a si e à sua família terá levado o técnico do FC Porto a ser acompanhado por um guarda-costas e estado na origem da mudança do seu comportamento durante os festejos da conquista da Liga dos Campeões.
O técnico foi parco em demonstrações de regozijo pelo êxito dos "dragões" no Porto e, logo após a chegada, foi de imediato para a sua casa."
A agência lusa divulgou a notícia:
"José Mourinho recebeu ameaça "não anónima" em Gelsenkirchen
José Mourinho revelou ter recebido "ameaças sérias", "corajosamente não anónimas", na madrugada do jogo em que conquistou a Liga dos Campeões de futebol ao serviço do FC Porto.
Mourinho precisou que o alegado telefonema foi recebido pela 01:00 da manhã do dia do jogo, quando estava em estágio com o restante plantel do FC Porto, em Gelsenkirchen.
Esta ameaça a si e à sua família terá levado o técnico do FC Porto a ser acompanhado por um guarda-costas e estado na origem da mudança do seu comportamento durante os festejos da conquista da Liga dos Campeões.
O técnico foi parco em demonstrações de regozijo pelo êxito dos "dragões" no Porto e, logo após a chegada, foi de imediato para a sua casa."
O nosso Mister!!!
Zé Mourinho acaba de dar a primeira conferência de imprensa como treinador do Chelsea.
Significa isto que o mister Zé Mourinho já não é nosso e que esperamos ansiosamente o anúncio do novo mister.
Porém, neste dia de despedida, resta-me do fundo do coração agradecer ao Mister Zé Mourinho pelo trabalho que teve no Mágico Porto e também pelo facto de ter sentido que no Mágico Porto, quando se ganha, é contra tudo e contra todos e por ter lutado sem receios contra tal e posto nas bocas do mundo esse sentimento.
O Zé Mourinho foi, é e será, um treinador que eu gosto, principalmente porque dizia tudo o que ia na alma dos Portistas sem qualquer tipo de receios.
O facto de lhe chamarem arrogante e prepotente só confirma a minha ideia, pois como dizia ontem o Jorge Maia, hoje deixou de ser o arrogante e o prepotente para passar a ser o melhor treinador português, só porque deixou o Porto. Apenas por defender a nobre causa Portista com unhas e dentes e também porque vencia, convencia e não dava hipóteses aos infieis, é que toda a gente se atirava a ele da maneira que o faziam.
Como me dá gozo ver que os que outrora só lhe enfiavam a faca nas costas, hoje só lhe fazem elogios.
Hoje, dia de despedida, desejo-lhe a maior sorte do mundo no Chelsea. Que ganhe quase sempre.
Agradeço-lhe a sua quota parte nas vitórias do Mágico Porto. Mas também lhe digo que a partir de agora faz parte do passado e que quando entrar no Dragão pelo Chelsea, vai ter um Estádio inteiro a puxar pela MELHOR EQUIPA DO MUNDO e contra a sua equipa. Passou de cavalo para burro, pois o Mágico Porto é muito maior que qualquer outro. Apenas ganhou em dinheiro...
Quanto aos seus festejos na Final da Liga dos Campeões deixo a minha pergunta. Alguém que esteve em Genselkirchen deu conta do que fez o Zé Mourinho no final do jogo?
Eu não. O que eu queria estava connosco. A Taça, aquela linda Taça. Se não esteve connosco foi porque não quis e isso é problema dele. Ele é que ficou a perder, porque não saboreou a vitória como devia e não recebeu a nossa imensa alegria. Porque a familia Portista estava em delírio e a celebrar. Mas foi uma opção dele. Entendeu que o devia fazer assim e estava no direito dele.
Não é por esse facto que os Portistas não lhe serão gratos. E tal foi efectivamente verificado em entrevistas feitas ontem pela RTP junto do Estádio do Dragão. Todos tinham pena que ele fosse embora, mas desejavam-lhe sorte e compreendiam a sua ida.
É o que faço. Boa sorte Mourinho. Estarás sempre nos nossos corações mas agora é hora de continuar em frente. As pessoas passam e o grandioso clube fica!!! E no Mágico Porto, qualquer treinador se arrisca a ser campeão!!!
Venha o próximo...
No entanto, permitam-me, ainda, que acabe este post com palavras do Jorge Olímpio Bento na sua crónica no Avante Lampião neste Domingo. Simplesmente fantásticas e que traduzem ipsis verbis todo o meu sentimento e opinião:
"... .Mourinho vai continuar a ter sucesso. Mas não voltará a conhecer os dias e noites dos triunfos inebriantes que teve no Porto. Não voltará a encontrar adeptos à sua espera e a cantar como pássaros azuis no alto das madrugadas. Encontrará os bolsos cada vez mais quentes de dinheiro, mas o seu interior frio e vazio das emoções e excessos que dão cor e sentido à existência. Porque não há no Mundo outro clube como este que acenda no estádio o fogo que incendeia a alma do desporto e alumia os nossos passos. Porque nele está sempre em brasa o ideário que irmana o desporto e a vida: Citius, Altius, Fortius! Bendito sejas, Futebol Clube do Porto, porque anulas a lógica das probabilidades e dás a um pequeno país a glória de Gelsenkirchen e de tantas jornadas que já vivemos e havemos de viver! Porque és um poema que nos tira o pó da boca e o luto da nossa vida. Pões brilho nos nossos olhos e música no coração. És hoje o nome celebrado e colorido de Portugal no Mundo."
Significa isto que o mister Zé Mourinho já não é nosso e que esperamos ansiosamente o anúncio do novo mister.
Porém, neste dia de despedida, resta-me do fundo do coração agradecer ao Mister Zé Mourinho pelo trabalho que teve no Mágico Porto e também pelo facto de ter sentido que no Mágico Porto, quando se ganha, é contra tudo e contra todos e por ter lutado sem receios contra tal e posto nas bocas do mundo esse sentimento.
O Zé Mourinho foi, é e será, um treinador que eu gosto, principalmente porque dizia tudo o que ia na alma dos Portistas sem qualquer tipo de receios.
O facto de lhe chamarem arrogante e prepotente só confirma a minha ideia, pois como dizia ontem o Jorge Maia, hoje deixou de ser o arrogante e o prepotente para passar a ser o melhor treinador português, só porque deixou o Porto. Apenas por defender a nobre causa Portista com unhas e dentes e também porque vencia, convencia e não dava hipóteses aos infieis, é que toda a gente se atirava a ele da maneira que o faziam.
Como me dá gozo ver que os que outrora só lhe enfiavam a faca nas costas, hoje só lhe fazem elogios.
Hoje, dia de despedida, desejo-lhe a maior sorte do mundo no Chelsea. Que ganhe quase sempre.
Agradeço-lhe a sua quota parte nas vitórias do Mágico Porto. Mas também lhe digo que a partir de agora faz parte do passado e que quando entrar no Dragão pelo Chelsea, vai ter um Estádio inteiro a puxar pela MELHOR EQUIPA DO MUNDO e contra a sua equipa. Passou de cavalo para burro, pois o Mágico Porto é muito maior que qualquer outro. Apenas ganhou em dinheiro...
Quanto aos seus festejos na Final da Liga dos Campeões deixo a minha pergunta. Alguém que esteve em Genselkirchen deu conta do que fez o Zé Mourinho no final do jogo?
Eu não. O que eu queria estava connosco. A Taça, aquela linda Taça. Se não esteve connosco foi porque não quis e isso é problema dele. Ele é que ficou a perder, porque não saboreou a vitória como devia e não recebeu a nossa imensa alegria. Porque a familia Portista estava em delírio e a celebrar. Mas foi uma opção dele. Entendeu que o devia fazer assim e estava no direito dele.
Não é por esse facto que os Portistas não lhe serão gratos. E tal foi efectivamente verificado em entrevistas feitas ontem pela RTP junto do Estádio do Dragão. Todos tinham pena que ele fosse embora, mas desejavam-lhe sorte e compreendiam a sua ida.
É o que faço. Boa sorte Mourinho. Estarás sempre nos nossos corações mas agora é hora de continuar em frente. As pessoas passam e o grandioso clube fica!!! E no Mágico Porto, qualquer treinador se arrisca a ser campeão!!!
Venha o próximo...
No entanto, permitam-me, ainda, que acabe este post com palavras do Jorge Olímpio Bento na sua crónica no Avante Lampião neste Domingo. Simplesmente fantásticas e que traduzem ipsis verbis todo o meu sentimento e opinião:
"... .Mourinho vai continuar a ter sucesso. Mas não voltará a conhecer os dias e noites dos triunfos inebriantes que teve no Porto. Não voltará a encontrar adeptos à sua espera e a cantar como pássaros azuis no alto das madrugadas. Encontrará os bolsos cada vez mais quentes de dinheiro, mas o seu interior frio e vazio das emoções e excessos que dão cor e sentido à existência. Porque não há no Mundo outro clube como este que acenda no estádio o fogo que incendeia a alma do desporto e alumia os nossos passos. Porque nele está sempre em brasa o ideário que irmana o desporto e a vida: Citius, Altius, Fortius! Bendito sejas, Futebol Clube do Porto, porque anulas a lógica das probabilidades e dás a um pequeno país a glória de Gelsenkirchen e de tantas jornadas que já vivemos e havemos de viver! Porque és um poema que nos tira o pó da boca e o luto da nossa vida. Pões brilho nos nossos olhos e música no coração. És hoje o nome celebrado e colorido de Portugal no Mundo."
terça-feira, 1 de junho de 2004
O NOSSO PRESIDENTE CADA VEZ MAIS LÚCIDO
Ao contrário de outros, infelizmente doentes (não referi nomes, logo não quebrei a promessa do meu post anterior), o nosso grande Presidente está cada vez melhor. A sua lucidez impressiona.
Vem isto a propósito da suposta contratação do Rei do Mergulho, vulgo JVP (João Valoroso Piscineiro). Diziam os jornais que, para substituir o Mágico, a SAD ponderava a contratação deste sujeito. Só a ideia causa-me vómitos e náuseas violentas. Pelos vistos, ao Presidente também. Vai daí que tenha já posto os pontos nos ii. Senão, veja-se o que Ele disse:
"Considero essa notícia completamente disparatada, com contornos lamentáveis de falsidade, pois é óbvio que nunca nos podia passar pela ideia contratar um jogador de 33 anos, com um relacionamento frequente de hostilidade mútua com o FC Porto. Vir dizer-se que é uma hipótese é falso, como o é afirmar que a sua contratação está em banho-maria à espera de uma decisão do futuro treinador",.
Está dito e tiro o meu chapéu. Entretanto, aproveito para deixar aqui uma amostra da grandeza mundial do nosso Clube, para desespero dos 6 milhões. O site é polaco. Não se percebe o que diz, mas não importa. O que importa é que até aí temos adeptos.
Vem isto a propósito da suposta contratação do Rei do Mergulho, vulgo JVP (João Valoroso Piscineiro). Diziam os jornais que, para substituir o Mágico, a SAD ponderava a contratação deste sujeito. Só a ideia causa-me vómitos e náuseas violentas. Pelos vistos, ao Presidente também. Vai daí que tenha já posto os pontos nos ii. Senão, veja-se o que Ele disse:
"Considero essa notícia completamente disparatada, com contornos lamentáveis de falsidade, pois é óbvio que nunca nos podia passar pela ideia contratar um jogador de 33 anos, com um relacionamento frequente de hostilidade mútua com o FC Porto. Vir dizer-se que é uma hipótese é falso, como o é afirmar que a sua contratação está em banho-maria à espera de uma decisão do futuro treinador",.
Está dito e tiro o meu chapéu. Entretanto, aproveito para deixar aqui uma amostra da grandeza mundial do nosso Clube, para desespero dos 6 milhões. O site é polaco. Não se percebe o que diz, mas não importa. O que importa é que até aí temos adeptos.
A ANEDOTA DO ANO
Finda que está a mais gloriosa época da história do Porto, aproveita-se sempre para se fazer balanços. O desportivo, está mais do que feito. As taças falam por si. Quanto ao resto, começo por fazer o balanço das anedotas desportivas que mais gozo me deram na época futebolística que ora finda. Confesso que cheguei a hesitar na escolha e consequente atribuição do prémio Azulão 2004. O Capataz Moçambicano foi, de forma tenaz e constante, um seríssimo candidato. A sua incapacidade futebolística nunca parou de me surpreender e é digna, neste ranking, dos maiores encómios. Desde a perda da taça com um jogador a mais, à prematura eliminação da Liga dos Campeões, foi um fartote. Culminado com o brilhante 4º lugar do campeonato e 5 derrotas consecutivas.
Todavia, esse senhor perdeu já com a meta à vista, por mera infelicidade. É que entretanto, nos últimos dias já não se ouve falar dele e foi enxotado com o rabo entre as pernas. Ao invés, hoje ao ler os jornais da manhã deparo-me com a seguinte parangona: "O sistema quer derrubar-me". A acompanhar, a perturbada (e perturbadora) carantonha do Senhor Alzheimer da Cunha. Foi tiro e queda. Tão supersónica como as arrancadas do Ferrari Maciel, foi a minha atribuição do Azulão 2004. Ao ler mais detalhadamente a notícia, fiquei ciente da justeza da atribuição. Para além do sistema querer derrubar o pobre mártir, concluí que os jornalistas eram mercenários a seu soldo.
Caros leitores, o problema é que agora até eu fiquei convencido. Não da existência do sistema, mas de sérios problemas cognitivos no senhor. Está bem, eu devia ter percebido logo quando ele contratou o engenheiro catequista. E quando afirmou repetidas vezes que a lagartada era a melhor equipa nacional. E que a PSP "abaixara" as calças ao FC Porto. Mas tenho a atenuante de estar demasiado embriagado com o perfume do nosso futebol e das nossas conquistas. Todavia, ao ler agora isto, percebi que ele acredita mesmo no que diz. Deve ter pesadelos e suores nocturnos acompanhadas de assombrações do dito sistema, cujo rosto só ele conhece. Daí que o problema não seja só Alzheimer, que lhe dificulta a irrigação do cérebro. Sofre também de esquizofrenia.
Por tudo isto e já que taças nem cheirá-las, é com todo e gosto e com muito prazer que atribuo o Azulão 2004 a Alzheimer da Cunha. Ao menos assim ganhou qualquer coisita.
Posto isto, faço aqui uma promessa solene. Uma vez que o nosso Ilustre Vencedor é manifestamente incapaz, não mais gozarei com ele. É feio divertirmo-nos com doentes - foi o que me ensinaram. Por isso, até que ele dê mostras de francas melhorias, este será o último post sobre ele.
Todavia, esse senhor perdeu já com a meta à vista, por mera infelicidade. É que entretanto, nos últimos dias já não se ouve falar dele e foi enxotado com o rabo entre as pernas. Ao invés, hoje ao ler os jornais da manhã deparo-me com a seguinte parangona: "O sistema quer derrubar-me". A acompanhar, a perturbada (e perturbadora) carantonha do Senhor Alzheimer da Cunha. Foi tiro e queda. Tão supersónica como as arrancadas do Ferrari Maciel, foi a minha atribuição do Azulão 2004. Ao ler mais detalhadamente a notícia, fiquei ciente da justeza da atribuição. Para além do sistema querer derrubar o pobre mártir, concluí que os jornalistas eram mercenários a seu soldo.
Caros leitores, o problema é que agora até eu fiquei convencido. Não da existência do sistema, mas de sérios problemas cognitivos no senhor. Está bem, eu devia ter percebido logo quando ele contratou o engenheiro catequista. E quando afirmou repetidas vezes que a lagartada era a melhor equipa nacional. E que a PSP "abaixara" as calças ao FC Porto. Mas tenho a atenuante de estar demasiado embriagado com o perfume do nosso futebol e das nossas conquistas. Todavia, ao ler agora isto, percebi que ele acredita mesmo no que diz. Deve ter pesadelos e suores nocturnos acompanhadas de assombrações do dito sistema, cujo rosto só ele conhece. Daí que o problema não seja só Alzheimer, que lhe dificulta a irrigação do cérebro. Sofre também de esquizofrenia.
Por tudo isto e já que taças nem cheirá-las, é com todo e gosto e com muito prazer que atribuo o Azulão 2004 a Alzheimer da Cunha. Ao menos assim ganhou qualquer coisita.
Posto isto, faço aqui uma promessa solene. Uma vez que o nosso Ilustre Vencedor é manifestamente incapaz, não mais gozarei com ele. É feio divertirmo-nos com doentes - foi o que me ensinaram. Por isso, até que ele dê mostras de francas melhorias, este será o último post sobre ele.
A Maldição do Bella Guttman!!!
Bella Guttman depois de ter sido bi-campeão europeus pelos lampiões lançou uma maldição: "Sem mim nunca mais o Benfica voltará a ser campeão europeu ou sequer outro clube português será bi-campeão da Europa".
Pois bem, a maldição mantém-se para os lados da Lampiolândia, pois nunca mais eles conseguiram o que quer que seja a nível europeu!!!
Mas como os Avantes não se conformam que a maldição continue para aqueles lados.
Também não se conformam que o Mágico Porto tenha sido Campeão Europeu!!!
Assim sendo, para que o choro não seja maior, o Avante Lampião resolveu mais uma vez fazer a exaltação dos desgraçados, com uma página central a lembrar a última Taça dos Campeões ganha pelos Lampiões. Com uma fotografia a preto e branco (claro, vai há tantas décadas e no século passado qe nesse tempo ainda não existiam a cores) dos lampiões nas páginas centrais de forma a po-los a sorrir e a tentar fazer esquecer o feito dos Dragões.
Muito lhes dói as nossas vitórias!!! Será que não capazes de se entender que esses feitos aconteceram quando a bola ainda era feita de bexiga de porco e quando os jogadores dessa equipa eram coagidos, ops desculpem, contratados para os Lampiões por Decreto do Governo?
Até agora refugiavam-se nas duas Taças dos Campeões para afirmarem que os seus tinham melhor palmarés Internacional que o nosso Porto. Agora vão-se refugiar em quê? No facto de terem vencido duas seguidas?
Quanto à maldição de Bella Guttman em relação aos outros clubes portugueses, claro que não se cumpriu porque existe o Mágico Porto!!! Não há maldição que nos segure.
Temos cinco troféus Internacionais e com possibilidade de mais dois na calha ainda este ano.
Somos Dragões e somos Campeões!!!
Digam lá que não é bom a gente ver que há tanta gente com um dor de cotovelo que nem dois kilos de analgésico conseguia resolver.
Como me disse um amigo meu (não portista) por sms no final do jogo em Genselkirchen: SOMOS MUITO GRANDES!!!
Pois bem, a maldição mantém-se para os lados da Lampiolândia, pois nunca mais eles conseguiram o que quer que seja a nível europeu!!!
Mas como os Avantes não se conformam que a maldição continue para aqueles lados.
Também não se conformam que o Mágico Porto tenha sido Campeão Europeu!!!
Assim sendo, para que o choro não seja maior, o Avante Lampião resolveu mais uma vez fazer a exaltação dos desgraçados, com uma página central a lembrar a última Taça dos Campeões ganha pelos Lampiões. Com uma fotografia a preto e branco (claro, vai há tantas décadas e no século passado qe nesse tempo ainda não existiam a cores) dos lampiões nas páginas centrais de forma a po-los a sorrir e a tentar fazer esquecer o feito dos Dragões.
Muito lhes dói as nossas vitórias!!! Será que não capazes de se entender que esses feitos aconteceram quando a bola ainda era feita de bexiga de porco e quando os jogadores dessa equipa eram coagidos, ops desculpem, contratados para os Lampiões por Decreto do Governo?
Até agora refugiavam-se nas duas Taças dos Campeões para afirmarem que os seus tinham melhor palmarés Internacional que o nosso Porto. Agora vão-se refugiar em quê? No facto de terem vencido duas seguidas?
Quanto à maldição de Bella Guttman em relação aos outros clubes portugueses, claro que não se cumpriu porque existe o Mágico Porto!!! Não há maldição que nos segure.
Temos cinco troféus Internacionais e com possibilidade de mais dois na calha ainda este ano.
Somos Dragões e somos Campeões!!!
Digam lá que não é bom a gente ver que há tanta gente com um dor de cotovelo que nem dois kilos de analgésico conseguia resolver.
Como me disse um amigo meu (não portista) por sms no final do jogo em Genselkirchen: SOMOS MUITO GRANDES!!!
Amordaçados!!! Por Jorge Maia no jornal "O JOGO"
Esta é que é a verdade!!! Apresentada num comentário do Jorge Maia! Mas atenção ao Comboio que ele fala no final...
Ora até que enfim! Foram quase dois anos amordaçados mas agora acabou. Finalmente, José Mourinho vai embora. Já se pode respirar de alívio. Afinal, depois deste tempo todo, estávamos todos de acordo: o homem é mesmo o melhor treinador português da actualidade. A diferença é que agora pode escrever-se assim, com as letras todas, aqui ou noutro jornal qualquer, sem medo de levar umas palmadas por se ter uma opinião. Andou ele a estafar-se entre treinos e observações, estágios e palestras para ganhar clássicos atrás de clássicos, campeonatos e mais campeonatos, Taças de Portugal e Supertaças, Taças UEFA e Ligas dos Campeões quando tudo o que precisava, para ser devidamente reconhecido para lá das fronteiras do Porto - de Leiria e Setúbal, também - era, tão simplesmente... sair do FC Porto. Quem se lembra agora da "arrogância" com que disse que o Sporting ia pagar - e pagou mesmo - a derrota com o Milan na Supertaça Europeia? Quem se lembra da camisola de Rui Jorge que o Sporting o acusou de ter rasgado, sem nunca apresentar as provas que reclamava ter? Quem se lembra dos murros na mesa e das garantias que o FC Porto ganharia o campeonato de qualquer maneira, apenas porque era a melhor equipa? Quem se lembra das opiniões assassinas que assinou sobre ele? O que interessa isso tudo agora que o melhor treinador português da actualidade vai finalmente deixar de ganhar títulos pelo - como era que José Mourinho dizia? - "alvo a abater"? Depois de Octávio Machado, o FC Porto podia ter passado um mau bocado à procura do caminho de volta aos títulos. José Mourinho conhecia os atalhos todos de cor e salteado. Ganhou dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões "contra tudo e contra todos" como tantas vezes sublinhou. Agora vai embora, provavelmente para ganhar mais coisas noutro clube qualquer. Entretanto, há uma luz ao fundo do túnel, uma esperança para o bando de vira-casacas sem um pingo de carácter nem vergonha na cara que aparece agora a dar-lhe palmadinhas nas costas à procura dos punhais que andou cravar-lhe durante os últimos dois anos. Há uma luz ao fundo do túnel, de facto, mas pode muito bem ser um comboio que vem aí.
Ora até que enfim! Foram quase dois anos amordaçados mas agora acabou. Finalmente, José Mourinho vai embora. Já se pode respirar de alívio. Afinal, depois deste tempo todo, estávamos todos de acordo: o homem é mesmo o melhor treinador português da actualidade. A diferença é que agora pode escrever-se assim, com as letras todas, aqui ou noutro jornal qualquer, sem medo de levar umas palmadas por se ter uma opinião. Andou ele a estafar-se entre treinos e observações, estágios e palestras para ganhar clássicos atrás de clássicos, campeonatos e mais campeonatos, Taças de Portugal e Supertaças, Taças UEFA e Ligas dos Campeões quando tudo o que precisava, para ser devidamente reconhecido para lá das fronteiras do Porto - de Leiria e Setúbal, também - era, tão simplesmente... sair do FC Porto. Quem se lembra agora da "arrogância" com que disse que o Sporting ia pagar - e pagou mesmo - a derrota com o Milan na Supertaça Europeia? Quem se lembra da camisola de Rui Jorge que o Sporting o acusou de ter rasgado, sem nunca apresentar as provas que reclamava ter? Quem se lembra dos murros na mesa e das garantias que o FC Porto ganharia o campeonato de qualquer maneira, apenas porque era a melhor equipa? Quem se lembra das opiniões assassinas que assinou sobre ele? O que interessa isso tudo agora que o melhor treinador português da actualidade vai finalmente deixar de ganhar títulos pelo - como era que José Mourinho dizia? - "alvo a abater"? Depois de Octávio Machado, o FC Porto podia ter passado um mau bocado à procura do caminho de volta aos títulos. José Mourinho conhecia os atalhos todos de cor e salteado. Ganhou dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Supertaça, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões "contra tudo e contra todos" como tantas vezes sublinhou. Agora vai embora, provavelmente para ganhar mais coisas noutro clube qualquer. Entretanto, há uma luz ao fundo do túnel, uma esperança para o bando de vira-casacas sem um pingo de carácter nem vergonha na cara que aparece agora a dar-lhe palmadinhas nas costas à procura dos punhais que andou cravar-lhe durante os últimos dois anos. Há uma luz ao fundo do túnel, de facto, mas pode muito bem ser um comboio que vem aí.
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