É assim que se perdem campeonatos, devo começar por aí. Os jogos "interpares" não são os que definem o campeão no final da época, por norma, mas sim os pontos que se perdem contra os clubes mais fracos e de "outros" campeonatos...
Começando pelo principio do jogo. A equipa inicial surpreendeu-me e não foi pela positiva. Porque supunha, como disse no Facebook, que estivesse sem ritmo depois de uma lesão e a entrada de Mangala para o lugar do Otamendi. E, ainda, a ausência de Fernando (ou Souza) abdicando do trinco. Como já aqui o disse, acho que é possível jogar sem o trinco mas isso depende muito de factores como a forma como a equipa adversária se coloca em campo (quando abdica claramente do ataque) e dos jogadores que estão no meio campo - e aqui penso que só quando o Moutinho e o Defour jogam pode tal ser feito, colocando um Belluschi ou um James numa clássica posição 10.
Ora o FC Porto começou a perder os pontos nesse momento. O Mangala não é mau jogador pelo que mostrou, mas ainda não é melhor que o Otamendi, para além de que não tem ainda rotinas de equipa e tem dificuldades, naturais, de comunicação. O Guarin mostrou-se trapalhão e desconcentrado, alheado do jogo, ainda não está na melhor forma. E a forma como a equipa começou a jogar, sem uma entrada forte, com o meio campo trapalhão e pouco dinâmico, veio piorar as coisas.
Honra seja feita ao Feirense, já agora, que não estacionando o autocarro na frente da baliza e marcando bem à zona, com boa pressão e muito dinamismo, soube complicar ainda mais o jogo ao FC Porto.
O intervalo chegou e o jogo prometia já ser muito difícil, mas a saída do Kléber para a entrada do Varela veio complicar ainda mais. Porque o problema do ataque era o jogo não chegar lá, e o jogo não chegava lá porque o meio campo simplesmente não carburava - Guarin só complicava, James não engrenava, Moutinho não podia estar atrás e à frente ao mesmo tempo e Belluschi não encontrava espaços para jogar. Este foi, por isso, o 2º erro do Vítor Pereira.
Que com o decorrer do jogo não emendou, pois Walter (que até foi convocado) não entrou e a equipa mostrava que andava à procura de um homem de área nos seus cruzamentos constantes.
É evidente que também teve azar com mais 2 bolas aos ferros da baliza adversária - e aí vão 7 em 3 jogos - mas também podia ver o árbitro marcar um penalti aos 15 minutos contra nós que não era escândalo nenhum.
Não sou (ainda) tão pessimista como o
Dragão sobre o nosso treinador Vítor Pereira. Penso que ele já mostrou alguns dotes e alguma percepção do jogo noutros jogos (por exemplo, soube ver como o Barcelona ia jogar e encontrar forma de contrariar o jogo deles, boa leitura no último jogo contra o Setúbal ao tirar o trinco, etc) e a equipa já mostrou bons momentos de futebol este ano - devemos nos lembrar que o ano passado o FC Porto só começou a engrenar algures em Novembro, contra os lampiões e contra o Rapid, na Áustria, pois até aí as coisas ainda se mostravam algo desajustadas e inseguras.
Penso que o Vítor Pereira, que não me parece burro nenhum - ao contrário do Jesualdo que até de aspecto me inspirava desconfiança - deverá ter aprendido algumas lições hoje. Teremos a prova já na sexta feira.
No final, era escusada a expulsão do James - que sentiu claramente a pressão de ter ser o único "génio" em campo, com a ausência forçada (ou não?) do Hulk. Será que não era mais seguro ter o Hulk no banco, como foi feito contra o Setúbal? Infelizmente, o Presidente tem razão: Hulk é insubstituível. E, pelo que vamos vendo para já, o Falcao também...
Nota final - Para desanuviar o ambiente, lembrem-se que faz hoje 15 anos que o FC Porto foi humilhar os lampiões à luz, na Supertaça, com os famosos 0-5, no dia de aniversário do Jardel que jogou apenas parte do segundo tempo e nem marcou... a ver se na sexta-feira há mais!
FICHA DE JOGOFeirense-FC Porto, 0-0
Liga 2011/12, quinta jornada
18 de Setembro de 2011
Estádio Municipal de Aveiro
Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal)
Assistentes: António Godinho e Mário Dionísio
Quarto Árbitro: Jorge Tavares
FEIRENSE: Paulo Lopes; Pedro Queirós, Henrique, Luciano «cap.» e Mika; Sténio e Varela; Miguel Pedro, Diogo Cunha e Fonseca; Rabiola
Substituições: Sténio por Cris (57m), Miguel Pedro por Ludovic (66m) e Diogo Cunha por André Fontes (78m)
Não utilizados: Pajetat
Treinador: Quim Machado
FC PORTO: Helton «cap.»; Supunaru, Rolando, Mangala e Fucile; João Moutinho, Guarín e Belluschi; James, Klébler e Rodríguez
Substituições: Kléber por Varela (46m), Rodríguez por Defour (70m) e Sapunaru por Djalma (81m)
Não utilizados: Bracalli, Walter, Fernando e Otamendi
Treinador: Vítor Pereira
Disciplina: cartão amarelo a Diogo Cunha (16m), Pedro Queirós (29m), Fucile (44m), Mangala (66m), Rolando (72m) e Rabiola (90m); cartão vermelho a James (90m)
Ponto de Situação6 vitórias, 1 empate, 1 derrota
16 golos marcados, 7 golos sofridos