quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Eu tenho a minha ideia...

mas pouco tempo para escrever.
Como tal, conforme desafiado por um comentador, desafio-vos a comentar o facto da FIFA vedar o recurso aos tribunais comuns.
Tenho uma opinião formada hà muito sobre este tema e penso escreve-lo aqui em breve. Por enquanto deixo-vos o mote?
Concordam com esta regra ou nem por isso?

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Um novo que chega ...

Acedendo a um convite que muito me honra, cá estou a tentar não desmerecer da escolha do administrador.
Procurarei pautar as minhas intervenções no sentido de fazer deste espaço-forum um lugar de debate de ideias , de críticas construtivas, de estados de alma que sejam sempre uma pequena contribuição para o testemunho da grandeza deste nosso CLUBE.
A todos os prezados consócios, a todos os simpatizantes e visitantes deste prestigiado blog as minhas mais cordiais e efusivas saudações portistas.
Mas vamos ao que interessa:
Num comentário meu neste blog, aquando da novela Hesselink, dei conta de que os holandeses,quando se deram conta do interesse desmesurado pelo jogador, trataram de procurar esmifrar o mais possível aos cofres do FCP. A cláusula de rescisão que rondava os cinco milhões de euros,passou para cinco e meio e, num ápice, para os oito milhões. De um momento para o outro o Koeman passou a achar que o jogador era imprescindível e o negócio gorou-se e quanto a mim bem. Agora o imprescindível futebolista transfere-se para o Celtic por quatro milhões e meio. Quem terá andado por trás de isto tudo? Eu aposto dobrado contra singelo que os meus amigos pensam como eu.
Mas, se calhar, ainda bem que foi assim.

Pelos vistos...

não sou só eu...

SPORT DE BARCELONA

Nova contratação no "odragao.blogspot.com"

Por motivos conhecidos e explicados pelo próprio, o Pavão deixou de colaborar permanentemente no nosso blog.
Para ele, votos dos maiores sucessos profissionais e pessoais.
Posto isto, tívemos que convidar um novo ponta de lança para colaborar connosco. Aceitou o desafio.
Em breve, ele aí estará com os seus textos.

No meio do turbilhão do futebol português...

Lá ganhamos o primeiro jogo muito justamente.
Um jogo sem sobressaltos, com uma primeira parte bastante razoável em que o Mágico Porto se impôs e fez os dois golos.
Quem viu o jogo no Dragão reparou que tivemos um adversário que se meteu todinho no ferrolho (caro Domingos Paciência, não esperava isto de uma equipa tua), com os onze jogadores, por vezes, todos metidos dentro do meio do seu meio campo.
O Mágico Porto com maior ou menor dificuldade lá levou o barco a bom porto e foi a nossa primeira vitória do campeonato.
Quanto ao novo treinado, Jesualdo, esteve bem. Não modificou grande coisa no sistema de jogo, para não criar grande mossa. No entanto achei que esteve mal em pequenos pormenores.
Achei que o Lucho não deveria ter jogado em detrimento do Ibson ou de qualquer um dos outros do meio-campo. Ibson vinha a fazer uma pré-época fantástica e merecia começar de início como todos os outros que estiveram no meio-campo.
Lucho está com falta de ritmo competitivo, como se verificou no jogo, tendo disfarçado essa situação com a imernsa qualidade futebolística que tem. Mas penso que para motivação do Ibson e para não criarmos vacas sagradas no plantel, que o lugar deveria ter sido ocupado pelo Ibson.
Surpreendeu-me a entrada do Tarik. Até fez um bom jogo, mas vi nele algumas lacunas que os comapanheiros de equipa também verificaram. Tarik não joga sem bola, não faz desmarcações sem ela, mesmo com os colegas quase imnplorando para o efeito. Joga apenas com a bola nos pés.
Nas substituições, se fosse eu, teria-as feito de outra forma, mas não é por isso que irei criticar o treinador.
Penso que teria de ser um treinador destes, nesta altura a pegar na equipa. Pois conhece o futebol português e a equipa do Porto. No entanto, na questão do Ibson, acho que esteve infeliz. Mas neste momento tem todos os créditos e o meu apoio incondicional, excepto na parte em que é lampião. Isso são máculas de nascença que não podemos ignorar.
Estamos na frente e candeia que vai à frente...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Detesto ter razão nestes casos, mas...

Pois, parece que se confirma a qualidade de um grande craque.
Os grandes defensores do H3N1 estiveram sempre do seu lado na perseguição feita aos jogadores, de forma a justificar a manutenção do mesmo. Relativamente ao Diego, diziam mesmo que ele nunca havia mostrado nada no Mágico Porto, para darem razão ao pseudo-treinador.
Por mais que uma vez, aqui neste blog, escrevi que Diego foi perseguido pelo Holandês e que tinha feitos belíssimos jogos pelo Porto, tendo sido primeira opção de substituição nesses mesmos jogos.
Vaticinei no dia em que se foi embora, neste post, que muitos ainda haveriam de engolir em seco.
E não me enganei! E nestes casos preferia que o fizesse, pois era sinal que o Mágico Porto tinha acertado. Mas não.
E ainda há quem defenda o arrogante e senhor de toda a verdade, H3N1...

Eis a notícia:

"Diego eleito melhor jogador da jornada

O brasileiro Diego, que este ano trocou o FC Porto pelo Werder Bremen, foi eleito pela revista Kicker como o melhor jogador da segunda jornada da Bundesliga. Depois de ter feito duas assistências e marcado o primeiro golo na vitória sobre o Hannover na primeira jornada, o médio criativo voltou a estar em destaque na vitória sobre o Bayer Leverkusen por 2-1. Diego fez as assistências para os golos de Klose e Hugo Almeida, e poderia ainda ter marcado num fantástico pontapé de bicicleta, que apenas foi travado pelo guarda-redes adversário."


In O Jogo

P.S.: Apesar da notícia ser relativa ao Diego, ainda consta outro que foi dispensado pelo Mister Amo Hesselink: Hugo Almeida de seu nome, que factura certinho em terras germánicas.

Nortada por MST

"Os três suspeitos do costume

À partida para mais um campeonato nacional, os candidatos ao título são os mesmos três de sempre, com mais ou menos protagonismo previamente reservado a um ou dois «outsiders», dos quais o Sporting de Braga é o mais propagandeado – talvez de mais e talvez cedo de mais. Em minha opinião, FC Porto, Sporting e Benfica – pela ordem da última classificação – são os candidatos deste ano, pela mesmíssima ordem de probabilidades.

É verdade que o Sporting tem apresentado o melhor futebol da pré-época, que manteve todos os jogadores que lhe interessavam, que fez poucas e cirúrgicas aquisições e que tem o mais interessante treinador entre todos os dezasseis portugueses que vão iniciar o campeonato. Mas daí até atribuir--lhe desde já o primeiro lugar entre os favoritos, como muita gente se apressa a fazer (incluindo, o que não é desejável, os próprios jogadores da equipe), vai uma distância. O que mais merece para já elogios é a politica de gestão do clube, que, reduzindo o seu orçamento de ano para ano, consegue, mesmo assim, chegar à abertura do campeonato como um dos principais favoritos à vitória final. O Sporting parte para este campeonato com cerca de metade do orçamento para o futebol de que dispõe o FC Porto e, partindo igualmente como favorito, isso só pode significar que ganhou o campeonato da gestão financeira e desportiva. Para tal, muito contribui a qualidade dos seus dirigentes – que, é justo reconhecê-lo, constituem, a diversos títulos, um caso notavelmente excepcional no futebol português – a qualidade do seu jovem e nada deslumbrado treinador e a nunca de mais elogiada escola de formação de jogadores, que é um insaciável motivo de orgulho e de alegrias para os sportinguistas. Ganhe ou não ganhe este campeonato, julgo que não restam dúvidas a ninguém que o caminho do futuro para os «grandes» do futebol português (que, quanto muito, são «médios» a nível europeu), é aquele que o Sporting tem adoptado nos últimos anos.

Mas, para as contas que se começam a fazer sexta-feira próxima, acredito que o FC Porto será ainda e mais uma vez o «front runner» deste campeonato. Porque a jovem equipa do Sporting tem ainda de ser testada debaixo de fogo e não «a feijões», enquanto que a equipe do FC Porto – igualmente jovem ou mais ainda – traz, todavia, do balneário, uma experiência e uma escola dos grandes combates e das grandes vitórias, que é passada de mão em mão e de geração em geração, com os resultados que se conhecem. Mas essa é apenas uma das razões.

A saída abrupta de Co Adriaanse, apesar do momento dificilmente ter podido ser pior, não foi um problema: foi uma oportunidade de solução. Porque há muito que dava para adivinhar que o seu temperamento, a sua teimosia, as suas ideias feitas e por demonstrar, iriam conduzir a crescente desgaste dos jogadores e da equipa. Como se viu, a «difícil transição» entre Adriaanse e um treinador «normal» foi resolvida, com tranquilidade e eficácia por Rui Barros, com três vitórias em três jogos e mais duas taças para a sala de troféus do Dragão. Como se demonstrou, não era o FC Porto que não estava habituado a ganhar: era Co Adriaanse. Aposto que sexta-feira o Dragão vai estar cheio, de um público de novo crente, entusiasta e aliviado.

Para além disso, acho sinceramente que o FC Porto tem melhor equipa que o Sporting: melhor onze-base e melhor «banco». Tirando raros casos pontuais, como o do ponta-de-lança, onde continua a ter o melhor que se exibe em relvados portugueses, julgo que o Sporting não tem jogadores com a dimensão extra de um Pepe, um Lucho González ou um Ricardo Quaresma.

E, enfim, falta o principal argumento a favor do FC Porto: não sei se já todos repararam, mas está ali a crescer um génio do futebol, um miúdo com dezoito anos acabados de fazer e – desculpem-me o que pode ser uma heresia prematura – cujo futebol me faz lembrar irresistivelmente alguém nascido mais a sul que Porto Alegre, também revelado aos dezasseis ou dezassete anos de idade, e que passou à história do futebol com o nome de Diego Armando Maradona. Anderson é daqueles jogadores que só sabem jogar para a frente, que joga em constante movimento, com e sem bola, que finta, fura, aguenta cargas, passa largo ou curto e acorre ao remate, com a desenvoltura, a coragem e a naturalidade dos verdadeiros e raros predestinados a número dez, a posição mais fantástica do futebol. Valeu a pena ir buscá-lo tão cedo, contratar a mãe para que ele pudesse ter licença de residente como menor, esperar tanto tempo até o fazer chegar à equipa principal. Este miúdo vai valer o seu peso em ouro e, ainda por cima, a avaliar pelas poucas falas que se lhe ouvem, não parece feito da frágil substância dos que se deslumbram com facilidade.

Ah, pois, e o Benfica! O terceiro candidato espera-se e deseja-se que comece por ultrapassar hoje à noite o incipiente obstáculo constituído pelo Áustria de Viena. Não só seria bom para o clube e para o futebol português, como ainda teria o atractivo extra de colocar os três grandes em pé de igualdade quanto ao calendário e às dificuldades para, pelo menos, a primeira metade da época.

A nível interno, porém, as suas hipóteses parecem-me à partida menores que as dos seus dois principais rivais. E, a avaliar pelo comportamento errático do seu presidente, a sua cara de «indivíduo eternamente zangado com o mundo», como ontem aqui escrevia Carlos Pereira Santos, sou tentado a adivinhar que Luís Filipe Vieira já está a ensaiar a habitual tese dos inimigos externos e das forças estranhas para preparar os benfiquistas para um ano falhado. De outro modo, não se compreende que, depois de ter sido dos primeiros apoiantes públicos da candidatura de Hermínio Loureiro à Liga, agora esteja em guerra com ele, sem que ninguém perceba porquê nem ele consiga explicar. Não se compreende que passe a vida a reclamar o andamento do «Apito Dourado», quando andou dois anos de braço dado na Liga com o principal suspeito do processo. Não se compreende a sua insistência em que lhe reconheçam o papel auto-atribuído de vestal moralizadora do futebol português, depois de ter cavalgado o indecente processo que levou ao arquivamento do caso de doping de Nuno Assis. E não se compreende que agora reclame a ingerência do poder político no futebol, depois de ter acabado de acordar com o banco público o recebimento de quinze milhões de euros, através de um processo saloiamente baptizado de «naming» e culminado no absolutamente ridículo nome de Caixa Futebol Campus atribuído ao centro de treinos do Seixal. Processo esse liderado, do lado do Estado, por um administrador da Caixa-Geral de Depósitos, chamado Armando Vara e que reunia, no caso, três condições fatais: ser benfiquista militante, ser um conhecido gastador de dinheiros públicos e ser um exemplo perfeito do alpinismo partidário como forma de estar na política.

É certo que o Benfica se reforçou com um ainda grande Rui Costa, que se «reforçou» com o Simão Sabrosa, depois de nova e pouco edificante novela de venda falhada. Mas os benfiquistas com quem falo não parecem ter muita fé nem na equipa nem no treinador escolhido, e o futebol até aqui mostrado tem sido confrangedor. Se a isso somarmos o constante espingardear em todas as direcções e sem sentido do seu presidente, é caso para desconfiar que ali esteja a germinar uma equipa de ganhadores. Mas a ver vamos
."

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Ganhamos o ¨primeiro caneco...

Estou de férias no estrangeiro.
Nao vi o jogo, nao ouvi. Apenas acompanhando por sms.
Para o que conta, mais um caneco. Ganhamos...

sábado, 19 de agosto de 2006

FC Porto x Setúbal

Voltando ao que é realmente importante, o futebol jogado.

Hoje espero ver um FC Porto dominador, como costuma ser contra equipas mais fracas (e há que assumir, nós somos os favoritos e mais fortes no "papel", temos agora de o demonstrar em campo) e que poderá ter algumas dificuldades em resolver a partida se não marcar nenhum golo nos primeiros 15/20 minutos, período onde demonstra normalmente de forma mais superlativa essa superioridade.

Penso que o Rui Barros vai colocar a seguinte equipa: Helton, Bosingwa, Pepe, Cech, Assunção, Meireles, Ibson, Quaresma, Vieirinha, Anderson e Adriano. Neste momento, em que não há um ponta de lança de prestigio e peso internacional e em que o Lucho ainda recupera do Mundial, julgo que é a melhor opção daquilo que assisti na pré-época. A mim o Vieirinha convenceu-me mais que o Alan e o Tarik juntos! E acho que ao Ruizito também... Como também não há defesa direito (por isso o Ruizito chamou o André Santos ao plantel principal, o que me surpreendeu pelo que sempre li sobre o João Dias que foi contratado ao Braga e que era apontado como o futuro defesa direito da equipa, agora sem clube com a extinção da equipa B) o Bosingwa dará conta do serviço, isto é, cumprirá os serviços mínimos...

De resto, espero que seja um bom jogo e que o Rui Barros entregue a equipa ao Jesulado sem lesões e com a moral em alto por uma vitória - se bem que o plantel deve estar moralizado desde já com a vitória da saída do treinador mal-amado...

NOTA - Ao Francisco em particular, o meu muito obrigado pelas palavras de apoio, não as do blog (que as criticas dos anónimos não me afectam de todo) mas as outras referentes à minha vida pessoal e profissional! Essas sim são importantes e muito sentidas por mim! Obrigado.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

O senhor que se segue

Como às vezes alguns anónimos não me compreendem, pode ser que pelas palavras do Miguel Sousa Tavares me faça compreender um pouco melhor.

"PARECE óbvio que o Boavista não pode ceder ao raide lançado pelo FC Porto sobre o seu treinador. Ceder seria um sinal de fraqueza e submissão, para além de um problema criado a poucos dias de começar o campeonato — criado ao vizinho e herdado deste. E, se João Loureiro não pode ceder, Pinto da Costa não pode forçar, sob pena de transformar um problema interno numa crise externa. Mas estes raides dos grandes sobre os pequenos ou médios causam sempre mossa, seja qual for o desfecho: se sair para o FC Porto, Jesualdo Ferreira abre uma crise entre os dois clubes que demorará muito tempo a sarar; se ficar, tendo já dado mostras suficientes de que queria sair, dificilmente terá ambiente no Bessa — a menos que comece a ganhar tudo e não pare durante três meses. Para este imbróglio a solução é imprevisível e jamais será boa. Compreende-se a tentação do FC Porto relativamente a Jesualdo. É tarde de mais para buscar quem, vindo do estrangeiro, consiga pegar numa equipa de tal maneira marcada pelo sistema de jogo e estilo de condução de Co Adriaanse. A única solução de recurso nesta emergência é, de facto, procurar quem, em Portugal, conheça o FC Porto fabricado por Adriaanse e se disponha a fazer uma transição lenta, gradual e de bom senso. Facto é que pela segunda vez em três inícios de época o FC Porto vê-se sem treinador, à beira de começar o futebol a sério. E, desde que Mourinho saiu, há dois anos, vai avançar o quinto treinador, não já para continuar a sua herança, porque dela já não resta nada, mas para tentar recolocar os portistas no lugar que a categoria da equipa e o seu historial recente justificam. Depois do disparate Del Neri, das soluções de emergência falhadas de Fernandez e Couceiro, depois da aventura vivida com Adriaanse, é mais do que tempo de a direcção do FC Porto acertar na escolha do treinador. Ou então talvez seja tempo para ensaiar uma experiência radical, de deixar tudo entregue a Rui Barros mais um bom preparador físico e pedirlhes, simplesmente, que não compliquem o que é evidente. Para mim, pessoalmente, seria a ocasião para ensaiar uma teoria que há muito alimento: que, tirando casos excepcionais como José Mourinho, de treinadores que, de facto, acrescentam valor à equipe, na maioria dos casos os restantes só servem para complicar o que é fácil. Veja-se o epifenómeno chamado Co Adriaanse, que Pinto da Costa prometia vir a ser treinador para muitos e bons anos. Desde o início que ele deu sinais de desequilíbrio, ao embirrar com o penteado de McCarthy ou o brinco de Quaresma: começou por implicar com o acessório, antes de se concentrar no essencial. E, quando o fez e começou a perder todos os jogos decisivos—como alguém já escreveu, jogando muito bem nos intervalos em que não sofria golos — decidiu-se pela fuga em frente, inventando o revolucionário sistema de 3x3x4, tão louvado pela crítica. O sistema era realmente atraente, assim como as suas promessas de espectáculo e golos. Simplesmente, o espectáculo revelou-se inócuo e os golos sumiram-se. Não fosse um inesperadíssimo golo de Jorginho em Alvalade, que valeu o campeonato, e o funeral teria sido retumbante. Este ano, longe de tentar perceber por que é que a equipa não marcava golos, apesar de ter tantos e tão bons alas e pontas-delança, longe de tentar perceber que escapara à morte apenas devido a um super-Pepe e a um incansável Paulo Assunção, que lhe salvaram a face e as ideias, ele resolveu não reforçar a defesa e livrar-se dos dois melhores pontas-de-lança que tinha — Hugo Almeida e McCarthy. Por isso, agora o FC Porto não está apenas sem treinador e sem um pontade- lança de categoria: está também sem defesas-centrais e sem lateral-direito de raiz. Com a lesão de Pedro Emanuel, tudo agora repousa na capacidade de Pepe poder continuar a valer por dois durante toda a época: se ele por acaso se lesiona, tudo aquilo desaba lá atrás. Entretanto, o inteligentíssimo Adriaanse, que tudo sabia e que tinha sempre um culpado à mão para quem atirar as culpas das derrotas, mandou fora um naipe de jogadores como Leandro do Bonfim, Jorge Costa, Diego, McCarthy, Hugo Almeida e César Peixoto, e deixou em troca Sonkaya, Sektioui, Ezequias, João Paulo, Bruno Alves ou Diogo Valente, o único cuja aquisição parece ter alguma justificação. Na hora da despedida (feita, como em tudo o resto, de forma abrupta e irresponsável), eu, que tanto o critiquei no passado, devo, todavia, reafirmar o que já várias referi como aquilo que ele trouxe de positivo. Primeiro, uma filosofia de futebol ofensivo e de espectáculo—que está certa, em teoria, mas que ele não mostrou ser capaz de levar à prática com resultados positivos; depois, uma disciplina, dentro e fora do campo, verdadeiramente inédita no futebol português — o FC Porto de Adriaanse jogava limpo, sem faltas, sem simulações, sem discussões com os árbitros. Possa quem vier a seguir aproveitar pelo menos esta parte da sua herança, esquecendo a parte má: a instabilidade que causava na equipa, a desumanidade com que por vezes tratava os jogadores, a incapacidade de ler o jogo de fora do campo e influenciá-lo e a sua tendência fatal para perder quase todos os jogos importantes. Desesperadamente, queremos agora alguém que seja normal, competente e ganhador. Alguém que perceba que está ao serviço da equipa e não esta ao serviço das suas teorias ou dos seus estados de alma."